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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Opinião de Mariana Brochado em seu blog no Globoesporte.com


"Muitas pessoas me perguntaram o que eu achava sobre a declaração que o campeão olímpico e mundial César Cielo deu a revista "Poder" dizendo que gostaria de ganhar de presente de natal a saída do presidente Coracy Nunes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos.

Fui atleta profissional por 10 anos e, nove deles estive na seleção brasileira. Vivi algumas situações nada agradáveis e vi muita coisa errada acontecendo no nosso meio aquático.Claro que uma pessoa que está no poder da Confederação há 23 anos não pode agradar a todos durante este tempo todo. Sabemos que na maior parte das Confederações, existem problemas e na CBDA não é diferente. Não é de agora que um nadador reclama do Coracy. Eduardo Fischer, Joana Maranhão, Luiz Lima o técnico Reinaldo Nikita são apenas alguns exemplos e que já enfretaram "nosso presidente", mas não tiveram tanto sucesso. O problema, talvez, é que eles não tivessem o peso do nome César Cielo onde qualquer coisa que ele fale ou faça toma proporções enormes.

Muitos nadadores concordam com Cielo, Joanna e Fischer, mas muitos preferem ficar quietos, não se pronunciarem publicamente para não criar atritos, mas, para aqueles que fazem, não acho que estejam errados.

Acho que Coracy já fez muita coisa pelos nadadores e pela Confederação, mas acho que está na hora de uma mudança também, A mentalidade de hoje em dia é outra. Precisamos de novas idéias, de alguém que realmente saiba o que os atletas precisam e que não meça recursos para ajudá-los. O problema é que Coracy nunca teve um concorrente direto nas eleições para a presidência da CBDA e, por isso, talvez, sua permanência desde 1988.
Se Cielo falou ou não isso, não vou discutir, mas já que veio à tona, porque não comentar. Querendo ou não, Coracy, estará no comando da CBDA até 2013. O que nos resta torcer e vibrar com os resultados dos nossos brasileiros pelas piscinas do mundo. Boa Sorte Brasil e um ótimo ano!"

Matéria do site: www.globoesporte.com de 04/01/2011.

sábado, 9 de outubro de 2010

Uma homenagem a João Gonçalves Filho


Abaixo vídeo de parte do programa Planeta Água da ESPN Brasil, sobre o grande desportista João Gonçalves Filho, pai da nossa colaboradora Cristina Guimarães e avô dos jogadores de polo aquático Ricardo Guimarães e Gustavo "Grummy" Guimarães. Desportista renomado, participou de 7 Olimpíadas e sempre foi vinculado ao Esporte Clube Pinheiros.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Júlio Delamare e Célio de Barros podem não ser mais demolidos

Secretária Márcia Lins revela estudo para tentar alterar projeto de reformas do Maracanã para a Copa de 2014 e manter os dois centros esportivos
A secretária estadual de Esporte, Turismo e Lazer, Márcia Lins, revelou nesta segunda-feira que o Governo do Rio estuda uma alternativa para alterar o projeto de reformas do complexo do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 e manter, com isso, o Parque Aquático Júlio Delamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros. Na proposta inicial enviada à Fifa, os dois locais seriam demolidos e construídos em um outro lugar por causa da necessidade de se ter no estádio uma área destinada a patrocinadores, autoridades, imprensa e convidados vips da entidade. A possibilidade de mudança de rumo no projeto se deve pela alteração dos recursos para financiar as obras. Se antes era por meio de uma Parceria Público Privada (PPP), agora vai ser com uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que oferece até R$ 400 milhões para cada arena do Mundial no Brasil. Ou seja, dinheiro público. Com isso, surgiu a possibilidade de se utilizar espaços no entorno do estádio. - A ideia da PPP (Parceria Público Privada) necessitava de um complexo. Agora a gente tem a possibilidade de usar áreas no entorno do Maracanã. Estamos analisando possibilidades. Há uma coincidência muito boa. Todas as áreas livres no entorno do Maracanã são públicas. Isso nos dá um cenário novo. Estamos estudando - disse Márcia Lins. Segundo ponto turístico mais visitado do Rio de Janeiro, atrás apenas do Corcovado, o Maracanã ganharia uma grande área de lazer. O estádio seria ligado à Quinta da Boavista. Tombados pelo patrimônio histórico municipal, o Parque Aquático Júlio Delamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros poderiam ser, então, preservados. - São dois projetos hoje em andamento. Um é o de obras do Maracanã propriamente dito, do estádio que vai ser o palco da final da Copa do Mundo. Esse projeto deve ficar pronto até o fim do ano para começarmos as obras em fevereiro como manda os prazos da Fifa. Por um outro lado você tem outros requisitos determinados pela Fifa para o entorno do Maracanã. São várias áreas que precisam ser disponibilizadas para a Fifa. Nesse outro projeto de entorno que comunica o Maracanã com a Quinta da Boavista estamos buscando alternativas para conseguir áreas disponíveis para que se minimize ou evite a tirada ou demolição desses equipamentos (Júlio Delamare e Célio de Barros). Ou seja, ainda não é definitivo (a demolição). Definitivo é que temos que cumprir o que assinamos com a Fifa. Todas as áreas precisam ser entregues nas dimensões que eles pedem - completou Márcia Lins.
Matéria do site: www.globoesporte.com, desta data.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Entrevista com Sottani e Vujasinovic

Está no ar há cerca de uma semana, no Blog do Flu, uma entrevista com Leonardo Sottani e Vladimir Vujasinovic. Vale a pena dar uma lida, pois eles comentam sobre o nível técnico do polo aquático no Brasil, assim como sobre a arbitragem e a organização do Troféu Brasil, competição da qual participaram pela equipe tricolor. Vujasinovic mostra que é craque também fora d'água, com análises precisas. Sottani, como bom italiano, é muito simpático em suas declarações, até mesmo pela sua relação antiga e estreita com o Brasil (é casado com uma brasileira). Clique aqui para ler a entrevista.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Entrevista de Felipe Perrone ao jornal O Globo

Foto: Ivo Gonzalez


Na edição de ontem, domingo (25/05), do Caderno de Esportes do jornal O Globo, foi publicada uma matéria do jornalista Cláudio Nogueira, com Felipe Perrone. Para quem não teve a oportunidade de ler, reproduzimos abaixo a matéria.


"UM ESPANHOL CARIOCA DA GEMA

Ao desembarcar no Rio, vinda da Espanha, ainda jovem, nos anos 30, depois de ver seu país devastado pela Guerra Civil Espanhola, Núria Heras mal poderia imaginar que, décadas mais tarde, seus netos precisariam se lançar na piscina para poderem cruzar o Atlântico e fazer o caminho de volta à Espanha. Graças à ascendência hispânica, os irmãos cariocas Kiko e Felipe Perrone, de tradicional família apaixonada por esportes aquáticos, têm dupla nacionalidade e irão representar a seleção de pólo aquático da Espanha nas Olimpíadas de Pequim.
De férias no Rio, depois da temporada da Itália, onde defendeu o Savona, do norte do país, Felipe, de 22 anos, está na Europa há cinco. Filho de Ricardo Perrone, que até hoje joga pólo aquático no masters e irmão de Kiko, também da seleção espanhola, e de Roberta, ex-nadadora do Flamengo, Felipe começou no pólo aos 7 anos, tendo atuado pelo Guanabara e pelo Botafogo.
- Joguei na seleção brasileira até o Pré-Olímpico de 2004, na piscina do Vasco (o Brasil não se classificou para os Jogos de Atenas). Nos Jogos Pan-Americanos de 2003, em Santo Domingo, fomos prata - conta Felipe, antes de explicar a ida dele e do irmão para a Espanha:
- Por sermos netos de espanhola (Núria, mãe de sua mãe Ema), temos dupla nacionalidade. Joguei na Liga Espanha por quatro anos, duas pelo Barcelona e outras duas pelo Barceloneta, arqui-rival do Barcelona. Pelo Barcelona, fomos campeões das Ligas de 2003/2004 e 2004/2005 e da Copa da Uefa [na verdade, Copa LEN] de 2004, e no Barceloneta, ganhamos as Ligas de 2005/2006 e 2006/2007.
Se no Brasil o jogador de pólo aquático é semi-profissional, e os atletas trabalham e não se dedicam totalmente à modalidade, na Espanha, ele é profissional.
- Na Espanha, há jogos todos os sábados, com TV, e o pólo é conhecido, badalado. Lá se dá apoio financeiro aos jogadores de seleção, e quando param de jogar, têm empregos. Eles têm bolsas em universidades, e a estrutura é profissional - enfatiza Felipe, um dos cinco melhores atacantes do mundo, para a revista "World Water Polo".
Pela seleção espanhola, Felipe já ajudou no bronze do Mundial Aquático, em Melbourne, na Austrália, em 2007. A Espanha foi campeã olímpica de 1996, em Atlanta.
- Eu e meu irmão vamos realizar juntos o sonho de ir às Olimpíadas pela primeira vez, e nossa família vai a Pequim torcer por nós. Eu me sinto, de certa forma, representando o Brasil em Pequim, já que nossa seleção não vai - afirma ele, que voltará hoje para a Espanha para o período de concentração da seleção num moderno CT em Barcelona. - Kiko está na Espanha desde 2001. De início, jogamos juntos no Barcelona, mas depois mudei de time.
Felipe teve dificuldades em passar a jogar pela Espanha, em 2005.
- Foi uma decisão muito difícil, porque nasci e fui criado aqui. Mas vi que no Brasil as coisas não caminhavam. Teria sido legal jogar os Jogos Pan-Americanos do Rio (2007). Mas era algo imediatista. Não havia um programa para levar o país às Olimpíadas. Assim, você nem se sente defendendo o país. Ninguém sabe que você está jogando - diz ele, que joga o Europeu, em julho, em Málaga.
Em 2007/2008, Felipe, que é atacante e artilheiro, foi atuar no Savona, daquela cidade, que tem o pólo aquático como seu esporte.
-Lá, eu sou ídolo. Há várias matérias na imprensa, e quando faço um gol a torcida fica cantarolando "Aquarela do Brasil".
No que diz respeito aos Jogos Olímpicos, o Brasil não manda seleção masculina no pólo aquático desde 1984, em Los Angeles. Além de Kiko e Felipe, na Espanha, o brasileiro Tony Azevedo, que joga pelos Estados Unidos há anos, irá defender aquele país em Pequim.
- No Brasil há talentos. O que falta é estrutura profissional - encerra Felipe, que depois de Pequim, jogará um ano no Barceloneta e mais três temporadas no Savona. "

segunda-feira, 17 de março de 2008

Bate-bola com Manguinha

Manguinha em foto de Satiro Sodré/cbda.org.br


Nosso colaborador-honorário Guilherme Azevedo, sobrinho do treinador Ricardo Azevedo, o Rochinha, esteve na Itália visitando o tio e aproveitou para nos enviar essa entrevista que ele fez com o Marco Paulo "Manguinha" Santos, centro convocado para a seleção brasileira que está jogando na equipe do Rochinha, o Camogli, da Série A2 da Itália. Valeu, "Banana"!



1) Você pretende voltar para a Califórnia para completar sua graduação ou sua vinda para a Europa é o começo de sua carreira no pólo aquático europeu?

Sim, estarei voltando para a Califórnia pra completar o resto da minha graduação [Manguinha estuda na UCLA], tudo vai depender se irão renovar o meu contrato após esse ano, mas este é o início da minha carreira no pólo aquático europeu.

2) Há comparação entre o nível do pólo aquático americano e o do pólo aquático da Série A2 italiana?

Sim, em certos aspectos e em outros não. O nível do pólo aquático europeu é sem dúvida mais forte, principalmente o italiano.

3) O que você espera da participação brasileira no Pré-Olímpico da Fina, que será disputado em março, na Romênia [a entrevista foi feita na semana do Pré-Olímpico]?

Eu espero que eles consigam a vaga para a Olimpíada, mas sem dúvida a chave do Brasil é forte e será bem difícil.

4) Você pretende jogar, nesse ano, algum torneio no Brasil?

Isto realmente eu não sei, se existir a oportunidade iria com certeza.

5) Dentro de sua experiência no pólo aquático americano e agora no europeu, você tem alguma sugestão para o pólo aquático brasileiro?

O Brasil, sem dúvida, possui ótimos jogadores, nós possuimos grandes atletas, porém muitas das vezes não são aproveitados, para mim a melhor sugestão seria investir nos novos atletas.

6) Você já está totalmente adaptado ao pólo aquático italiano? Esta adaptação foi díficil?

Estou me adaptando, não é que seja difícil, mas os costumes são outros, o jeito de jogar, e sempre se aprende algo novo a cada dia.

7) Você acredita que sua equipe subirá para Série A1 italiana nessa temporada?

Sim acredito, nosso time melhora a cada dia, estamos em primeiro, invictos, nosso time é bom, temos um excelente técnico, o conjunto é unido. Acredito que iremos subir para A1, sim.

8) Como é trabalhar com o Ricardo Azevedo?

É ótimo trabalhar com ele, está sempre preocupado com o atleta, entende de polo aquático como poucas pessoas, é um treinador bastante técnico, não da esporros, procura ajudar a melhorar o jogador sempre.Estou muito feliz em estar trabalhando com ele.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Entrevista com Gergely Kiss

Gergely Kiss, da seleção húgara, em fotos dos site: h2opolo.be e velvet.hu


Dando seqüência a iniciativa de permitir que os fãs façam perguntas aos jogadores da seleção, o site oficial da seleção húngara publicou agora a entrevista com Gergely Kiss. O gigante canhoto, que é a cara do pai da família de super-heróis do desenho Os Incríveis (ele já fez um comercial interpretando o Super-Homem), fala de sua carreira, de sua família, do Red Hot Chili Peppers, da seleção e, claro, dos sérvios, grande fantasma dos húngaros nos últimos três anos. Kiss, assim como Kasas, revela seu pouco gosto pela natação, o que, paradoxalmente, parece ser uma tônica entre jogadores de pólo aquático.
Essa tradução foi feita a partir da versão em inglês disponível no site prowaterpolo. A versão em inglês não é das melhores, por isso, algumas perguntas e respostas acabam soando meio estranhas. Mas dá para entender o principal.


Como você classificaria o nível da Liga Húngara? Quais as chances do Honved na Liga Húngara e na Euro Liga? Você acredita que a atual seleção húngara pode ganhar o ouro nos próximos campeonatos? Você planeja continuar na seleção após Pequim?
Eu acho que a Liga Húngara é a terceira melhor do mundo.
Nossos principais objetivos no Honved são o Final Four da Euro Liga e vencer a Liga Húngara.
Nossa seleção é muito forte, mas é claro que há pontos do nosso jogo que precisam melhorar.
Só vou decidir se continuo na seleção após Pequim.

Eu soube que você e seus companheiros de time se reúnem para vários programas fora da rotina de treinos e jogos. O que vocês fazem?
Nossos programas mais freqüentes são jantares, sair para tomar uma cerveja, sauna, cinema e, ocasionalmente, boliche e paintball.

Quais são as suas músicas preferidas do Red Hot Chili Peppers?
Eu não tenho uma música que seja a preferida, eu poderia listar umas vinte. Mas do álbum mais recente são Dani Califórnia e Hump de Bump.

Você pretende jogar em alguma Liga estrangeira?
Já joguei, anteriormente, três temporadas na Itália... pode acontecer.

Quem é o seu melhor amigo na seleção?
Eu me dou bem com todos, especialmente com meus companheiros do Honved.

Como são suas filhas?
Obrigado por perguntar. Minhas filhas são como anjos. Não poderia dizer mais nada sobre elas, pois soaria muito parcial, mas seria tudo verdade.

O que você acha do nado sincronizado?
Bem, especificamente não tenho nada a acrescentar. Espero que em breve estejamos entre os melhores e que só escutemos boas notícias sobre seu progresso.

Como vai sua Escola de Pólo Aquático? E como você lida com o assédio do público?
A Escola de Pólo Aquático está indo muito bem. Minha sogra me pediu para dirigir a Escola, para poder me ajudar. Portanto, no momento, estou fora dos negócios.
Quanto ao assédio, muitas pessoas me reconhecem nas ruas, mas até o momento só tive experiências positivas.

Como é ser o capitão da equipe? Existem tarefas extras?
Eu penso que ao lado das grandes e pequenas tarefas de organização, o trabalho de um capitão é fortalecer o espírito do time e a vontade de lutar. Mas isso não deve ser superdimensionado.

Por que você e o Honved não estão conseguindo jogar?
Nós jogamos terrivelmente mal contra o Vasas, mas ainda bem que conseguimos dar o troco na Supercopa e depois vencemos o Szeged, quer dizer, a situação está melhorando.

Com quantos anos você começou a jogar pólo? Do que você gosta e do que você não gosta no pólo aquático? Qual a importância da nutrição?
Eu tinha 6 anos de idade quando comecei a jogar e era um dos mais aplicados.
O que eu adoro no pólo aquático é que se trata de um jogo de equipe, um tem que se esforçar pelo outro. Um esporte difícil: água, natação, bola, agarrões, trabalho em equipe. Isso requer muita atenção e muito trabalho de um jogador.
Quando eu era criança, tinha uma nutrição variada: carne, frutas., vegetais, sucos etc. e, claro, um pouco de Cola e batatas fritas.
O que eu não gosto é que pessoas competentes são incapazes de fazer este jogo difícil e excitante mais popular, através das regras e da propaganda.

O que você acha do novo time do Eger? Quais são as vantagens do Eger no Troféu LEN?
A cidade e os patrocinadores investiram muita energia e dinheiro no time, e agora tem todas as chances de vencer o Troféu LEN. É uma vergonha não ter três equipes húngaras na Euro Liga.

O que você acha dos outros times (Eger, Vasas e Szeged)? Quais as chances deles nos torneios da LEN?
Eu gostaria que Eger e Szeged fizessem a final do Troféu LEN, assim como nós (Honved) e Vasas na Euro Liga. A Liga Húngara agora está dividida em quatro. Até a primavera vai haver muita excitação, depois as coisas vão clarear.

Essa pergunta já foi respondida pelo Kasas, mas agora eu a faço a você: você acha que a seleção é capaz de se renovar e se desenvolver nos aspectos do jogo, do físico e do mental? Existe alguma “arma secreta” que ainda não foi usada?
Você sempre pode melhorar. Se nós conseguirmos juntar o jogo tranqüilo e maduro com um vigor extremo, os fãs de pólo aquático terão um belo verão. Apenas pequenos detalhes podem ser “armas secretas”. O jogo hoje é muito bem armado tática, técnica e fisicamente. Ninguém espera grandes inovações dos oponentes.

O que você acha que precisa ser feito para que os jogos de clubes atraiam grandes massas de torcedores? Se um adversário faz uma jogada maldosa que não é percebida pelos árbitros, você marca o jogador? Existe alguma punição escondida que o faça parar?
Para atrair torcedores em massa, o pólo aquático precisa de marketing, mudanças de regras, dinamismo jovem no comitê internacional, atrair mais cidades etc.
Existem várias “respostas por debaixo d’água” para essa pergunta. Eu nunca usei nenhuma delas.

Você gostaria que suas filhas jogassem pólo aquático?
Eu não quero que minhas filhas pratiquem o mesmo esporte em que o pai delas é reconhecido, a não ser que elas realmente insistam e me convençam.

Qual foi o jogo inesquecível da sua vida?
Os positivos: 2 finais Olímpicas, medalha de ouro no Mundial, duas conquistas da Euro Liga e meu primeiro jogo de sucesso (Europeu Júnior... etc).
Os negativos: final do Europeu Júnior de 1996, 3 medalhas de prata em Mundiais e a final da Liga Húngara passada.

Qual foi o papel mais difícil de representar, o jogador russo no cinema (“Szabadsag, szerelem”), ou o Super-Homem no comercial?
Como o diretor tinha a oportunidade de corrigir os erros nesses filmes, eu diria que nenhum dos dois foi tão difícil.

Quais são seus planos para a vida civil? Você direciona suas filhas para o esporte profissional? O que você acha do pólo feminino?
Alguns anos jogando apenas em clubes, carreira jurídica e meu próprio negócio. Essas são metas realistas.
Gostaria que minhas filhas praticassem algum esporte, mas não vou forçá-las.
O pólo feminino melhorou muito, mas ainda é necessário trabalhar muito a popularidade, tanto entre as mulheres como entre os homens.

Por que os sérvios estão mais fortes que os húngaros?
Eles têm um super trabalho de pernas. A defesa é o principal para eles desde a categoria júnior. Por isso, eles preferem um jogo seguro e sem muito brilho.

Qual a importância de ter vencido a Supercopa da Hungria? Existem jogadores com os quais você gostaria de jogar no futuro?
A Supercopa é importante pois a cobertura da imprensa e da TV ajuda a popularizar o pólo aquático. Para nós [do Hinved] foi um teste importante.
Há vários bons jogadores que eu nunca joguei junto, mas eu, sinceramente, não pensei em nomes.

O que se pode esperar em Pequim?
Eu deixo a parte especializada para o Denes Kemeny [técnico da seleção húngara]. Mas uma coisa é certa, contra a seleção da Sérvia, que falhou em duas Olimpíadas, e ainda Croácia, Espanha, Montenegro etc., só terá alguma chance quem tiver muita raça e um bom padrão de jogo.

Quem são os 5 melhores jogadores do mundo?
Eu não gosto dessas perguntas tipo escolha/aponte. Nos últimos anos temos de 4 a 5 jogadores chaves, com as mesmas habilidades, nos 4 ou 5 melhores times do mundo, e não apenas 1 ou 2 em cada um.

O que você mais gosta e o que você menos gosta nos treinamentos?
Existem alguns jogadores que gostam de nadar, mas eu não sou um deles. Eu gosto de todo o resto, menos nadar.

Por quanto tempo ainda você planeja jogar? Como você se prepara para os jogos com tão pouco tempo livre? Quais técnicas você desenvolve para os grandes jogos?
Eu gostaria de jogar por mais 5 ou 6 anos.
Nós temos que usar todo o tempo livre, mesmo que seja apenas 1 ou 2 horas.
O Honved venceu o Vasas e o Szeged na mesma semana, portanto, eu acho que agora os oponentes é que devem estar pensando em desenvolver técnicas.

Por que você não se utiliza mais do seu porte físico e de sua força?
Existe uma questão de proporção nessa pergunta. É verdade que há situações em que precisamos ser mais lutadores, mas não se trata apenas de vontade. Ninguém precisa se preocupar comigo como lutador.



terça-feira, 30 de outubro de 2007

Entrevista Tamas Kasas - 2ª parte

Foto: prorecco.it



Segue abaixo a segunda parte da entrevista de Tamas Kasas, disponibilizada em inglês pelo site prowaterpolo. Nessa parte, Kasas fala sobre seu dia-a-dia na Itália e volta a abordar os sérvios, grande pesadelo dos húngaros atualmente.


Na seleção húngara, com quem você se relaciona melhor?

Eu me relaciono bem com todos. É claro que eu tenho uma relação mais forte com os jogadores com os quais eu jogo junto desde o início. Mas há alguns jogadores novos com quem eu já tenho uma relação muito boa.

Você é supersticioso? Você tem algum ritual antes das partidas? Como está sua contusão?

Eu não sou nem um pouco supersticioso, mas diria que tenho um hábito. Logo antes do jogo começar, eu afundo 5 vezes, me impulsiono para a superfície e, na quinta vez, dou uma grande pancada na água. Eu estou melhorando, obrigado.

Você poderia falar sobre sua carreira bem no início? Desde quando você aprendeu a nadar.

Desde que eu tinha 1 ano de idade, eu já nadava com meu pai em águas profundas. Eu aprendi a nadar muito cedo, mas nunca gostei realmente. A primeira vez que jogaram bolas na água, tudo mudou. Após o treino, eu e alguns companheiros continuamos por mais uma hora na água só para chutar algumas bolas. Nós adoramos, virou nossa paixão.

Vocês, rapazes, ainda têm aquela “atitude moleque” que é indispensável para sair de certas situações difíceis?

Nos últimos dez anos os adversários vêm se preparando cada vez melhor para nos enfrentar, por isso é cada vez mais difícil conseguir surpreender. Isso é normal. Nós temos que apreender a jogar mais disciplinadamente. De qualquer forma, eu acho que ainda somos nós que jogamos o pólo aquático mais espetacular, mas é uma pena que a beleza não conte pontos.

Você acha possível ter uma seleção unida para as Olimpíadas, como foi em Atenas? Você gostaria de ser treinador de novas gerações quando parar de jogar?

Não vai haver dispersão, pelo contrário. Os novatos são o sangue novo que precisamos. Dinamismo jovem, e nós apoiamos isso. Nós temos um objetivo comum. E se trata, no fundo, de uma questão de inteligência. Sim, eu gostaria de ajudar as futuras gerações de alguma forma.

Nós somos capazes de nos adaptarmos ao jogo físico e duro dos sérvios?

Não temos medo deles, mas somos totalmente conscientes de que nos últimos anos eles foram melhores do que nós. Isso, com certeza, dá confiança a eles. Nas Olimpíadas vai ser diferente, pois eles têm muito mais a perder, eles ganharam tudo, menos o ouro olímpico. Se nós jogarmos contra eles em Pequim, eles não vão esquecer. Talvez lembrem-se de Atenas. Nós estamos treinando muito as jogadas de homem-a-mais.

Você acompanha os resultados da nova geração húngara? O que você acha dela?

Sim, eu acompanho e me interesso pelos resultados. Em especial, porque nós começamos do mesmo jeito e o sucesso que alcançamos nos deu uma enorme motivação para continuarmos. Como eu jogo no exterior, eu não conheço muito os jogadores, mas os resultados desse ano mostraram que não teremos problemas no futuro.

Como é o seu dia?

Aqui na Itália, nada muito agitado. Nunca treinei tanto na minha vida. Dois treinos diários durante toda a semana, apenas uma tarde livre. Acordo de manhã, tomo meu café (geralmente 2 pãezinhos com Nutella e 1 capuccino). Treino, depois almoço com algum companheiro de time. Vou para casa, relaxo, leio alguma coisa, navego na internet, assisto um pouco de TV e treino ao anoitecer. Essa é a minha rotina.

O que você gosta e o que não gosta na sua vida de atleta profissional?

Eu lido muito mal com o fracasso logo após os jogos, mas tenho aprendido a administrar isso. Assim como o sucesso. Eu não tenho pensado muito sobre isso, prefiro aguardar a próxima oportunidade de ser posto à prova. O sucesso, o amor das pessoas, saber que temos tantos fãs, a sensação de estar no lugar mais alto do pódio e saber que valeu a pena trabalhar duro... esses são os pontos positivos.
A solidão, as freqüentes contusões, o fato de a vida de um atleta profissional não ser o que se possa chamar de saudável nos dias de hoje... esses são os pontos negativos. O pólo aquático, em si, é ótimo, mas a parte em volta devia ser melhor organizada para o pólo ser melhor vendido para a TV. Se o pólo aquático fosse sempre como na Unicum Cup, na Hungria, seria perfeito.

O que você mudaria nas regras?

Talvez um campo menor fosse melhor, para evitar tanta natação e focar mais no jogo em si.

O que você mudaria nos treinamentos da nova geração? Seu caráter profissional?

De qualquer maneira, eu gostaria de usar meu nome e a minha popularidade para atrair mais pessoas para o pólo aquático e para aprimorar as próximas gerações.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Tamas Kasas é fã de Paulo Coelho

Kasas em foto do site vlv.hu

O site oficial da seleção húngara de pólo aquático lançou uma nova seção em que os jogadores da seleção respondem as perguntas dos fãs. O primeiro jogador a participar foi o craque Tamas Kasas, que joga atualmente no Pro Recco, da Itália. Kasas, em uma das respostas, diz que gosta muito de ler e que um dos seus autores preferidos é o brasileiro Paulo Coelho, de quem já leu todos os livros. Kasas comenta também sobre sua aposentadoria da seleção após as Olimpíadas, sobre os sérvios, sobre sua preferência pelo sul da Itália etc. Abaixo postamos uma rápida tradução da entrevista a partir da versão em inglês disponibilizada por Agota Cseri, colaborador do site prowaterpolo.



Existe algum movimento oficial (FINA, LEN) no sentido de utilizar equipamentos eletrônicos (câmeras subaquáticas, um vídeo-juiz) para garantir o jogo limpo e punir as jogadas e jogadores violentos?

Infelizmente, não sei nada sobre esse assunto, mas é uma questão legitima.


Para ex-jogadores, ou pessoas que conhecem o jogo, a sensação que dá é que muitos jogadores da seleção estão desmotivados e perderam o entusiasmo. A maior agressividade e concentração dos adversários chega a incomodar. O que você acha que seria necessário para você chegar “voando” nos grandes jogos?

Eu não concordo. Não acho que tenha passado essa impressão nos jogos finais mas, claro, eu espero mais de mim. Isso tem a ver com o meu jeito: se o jogo está caminhando ok, eu mantenho minha fisionomia impassível. Espero estar bem fisicamente e sem contusões. A motivação nunca foi um problema e não temo que venha a ser, especialmente antes das Olimpíadas . A agressividade e a atenção dos adversários sobre mim não mudou nesses últimos dez anos. Quando nós vencemos, eles marcaram forte, tanto quanto agora. Se eu estou bem fisicamente, isso não me incomoda.


Quais são seus planos para o futuro? Existe a possibilidade de você continuar na seleção? Você planeja jogar na Liga Húngara ou continuar na Itália?

Se eu tivesse que decidir agora, eu diria que, após as Olimpíadas, eu deixarei a seleção. Mas... você nunca sabe. De qualquer forma, eu quero jogar na Hungria, talvez no ano que vem. Estou jogando na Itália há dez anos e ultimamente tenho sentido, cada vez mais forte, que já é o bastante.


Quem você destacaria na seleção que, mesmo não sendo artilheiro e não chamando muita atenção do público, tem um papel decisivo no sucesso (assistências, defesa, personalidade)?

Numa equipe todos os jogadores são importantes, e você não consegue resolver nada sem o outro. Eu não destacaria ninguém. Não acho que minha função seja a de marcar muitos gols. Dar uma assistência ou roubar uma bola me dá o mesmo prazer. É evidente que há jogadores que não são tão notados pelo público, mas eles são fundamentais para o sucesso da equipe.



O que você aconselha a um garoto de 14 anos de idade que joga pólo aquático mas que quer praticar mais seriamente? Devo continuar, por enquanto, no interior, numa equipe fraca, ou devo me mudar para Budapeste, aonde eu posso jogar melhor e sobressair? Como você se aquece e se prepara para um jogo difícil?

Você precisa de muita paixão e persistência para jogar pólo aquático. Se você tem talento, não deve se contentar com o que você sabe. Tem que aprender e melhorar. Eu não acho que a questão seja “interior vs. capital”: se você joga bem e receber uma boa oportunidade de uma equipe em Budapeste, arrisque. O importante é nunca estar contente com o seu conhecimento atual. Eu faço o mesmo aquecimento para todos os jogos. Mas cada um é que sabe o quanto precisa se aquecer antes de cada partida. Antes de jogos importantes eu fico nervoso como todo mundo, mesmo que as pessoas não consigam perceber. Na verdade, eu não penso em nada antes dos jogos. Na piscina você tem que tomar a decisão certa numa fração de segundos... é difícil estar preparado para isso. O importante é estar tranquilo e cheio de confiança.


Você acha que a equipe da Olimpíada de Atenas era mais forte do que a atual?

Os resultados mostram que a equipe campeã olímpica era mais forte. Depende de nós sermos mais fortes em Pequim.


Com base nos últimos torneios, parece que o nosso time é fisicamente mais “fino” do que os rivais (Sérvia, Croácia). Como fazer para compensar isso? Ou eles são mesmo melhores em tudo?

Os sérvios são muito fortes. A pernada deles é excelente. Além do que, eles são bons jogadores de pólo aquático com grandes novas gerações, que eles vêm trabalhando há muitos anos. Nós temos que agüentar o tranco e entrar com tudo nas competições. E temos boas chances de fazer isso. Mas seria ingênuo se preocupar apenas com a Sérvia.


Você disse que lê muito. Que tipo de livros você lê?

Já li todos os livros de Ken Follet e Paulo Coelho. Também li alguns pensamentos interessantes de Osho. Tenho vários livros sobre Buda. Gosto de livros filosóficos sobre a vida e as emoções das pessoas. Tem também um escritor italiano, Fabio Volo, de quem já li três livros.


Se você tivesse direito a dois pedidos, quais seriam?

Saúde para as pessoas que amo e para mim. E mais sucesso no esporte.


De onde veio o número 5 da sua touca?

Eu comecei a usar esse número quando era treinado por Gyorgy Horkai... e me ajustei bem a ele. Eu realmente gosto desse número.


Você consegue se imaginar morando na Hungria quando parar de jogar? O que o atrai em jogar no exterior? Quais novas perspectivas de vida você aprendeu com os italianos?

Sim, eu imagino minha vida depois do pólo aquático na Hungria, mas ainda não sei exatamente o que vou fazer. Eu vivenciei a diferença ente o Norte e o Sul. Eu vivi seis anos em Nápoles, aonde as pessoas são mente aberta, relaxadas e alegres. Eles não esquentam com nada. O Norte é justamente o oposto disso.


Quais as vantagens profissionais que você tem jogando na Liga Italiana? Quais as diferenças entre jogar na Itália e jogar na Hungria? Alguma diferença de atitude e cultura entre os jogadores?

Sinceramente? A minha carteira está mais gorda. E jogo numa Liga mais forte. Eu sinto falta de muitas coisas da Hungria. O pólo aquático é muito mais popular na Hungria e o agito em volta é muito maior. Aqui na Itália é tranqüilo. Não há fotógrafos atrás dos jogadores. Nós treinamos, no estilo italiano, e é nisso que devemos nos concentrar. Mas é claro que em ano Olímpico os atletas têm que se preparar o ano todo.


O que você precisa para voltar a jogar na Hungria?

Muita saudade, razões pessoais/privadas e condições apropriadas.


Se vocês forem campeões em Pequim, você jogará mais uma Olimpíada?

Não posso responder agora... mas acho que não.


Vocês, jogadores veteranos, estão querendo o ouro olímpico igual quando ainda não tinham nenhum? O que o faz acreditar que você estará na melhor forma da sua vida em Pequim?

É importante recuperar a mesma vontade pelo ouro olímpico que tínhamos antes. E conseguir algo similar ao que tínhamos antes é perfeitamente razoável. Afinal, será um feito enorme conquistar 3 medalhas de ouro seguidas. Nosso treinamento pode ser de grande ajuda para isso, assim como a motivação extra dos mais novos de ganhar uma Olimpíada. É uma motivação diferente, mas ainda muito forte. É por isso que estou me preparando para estar na melhor forma de minha vida.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Quito comenta o PAN 2007

Primeiramente, gostaríamos de agradecer ao prof. André Raposo "Quito" pela entrevista.

Nessa entrevista, Quito conta como se machucou, logo na primeira partida do PAN, dá sua opinião sobre os jogos e revela seus planos para seu futuro no pólo.

Seleção Brasileira, medalha de prata no PAN Rio 2007. Foto: Satiro Sodré/CBDA



Touca 14 -> Como ocorreu sua contusão durante o PAN 2007?
Quito -> Foi no primeiro jogo contra os EUA, se não me engano no final do segundo quarto. O Vicente Henriques jogou com muitos dos jogadores americanos na Itália, e mais ou menos nos falou das características de cada um deles, nos alertando sempre para uma jogada de H+ em que o canhoto americano ameaçava o chute e passava a bola para o jogador do pau do gol. Em uma dessas jogados eu era o marcador correspondente do pau gol, quando a bola chegou no canhoto e pulei para marcar a saída da posição 6 segurando o jogador americano pelo pescoço, que se soltou e me acertou uma joelhada nas costas, infelizmente a posição do meu corpo na hora da pancada, foi favorável a lesão (fratura de L3), e por causa disso fiquei fora do restante do campeonato.


Touca 14 -> O nível técnico do Pan de 2007 foi melhor do que o Pan de 2003?
Quito -> O campeonato foi melhor, porque o time do Canadá nesse Pan apesar de ser praticamente o mesmo do outro Pan, estava muito mais bem treinado, tanto que conseguiu resultados expressivos no Mundial de Melbourne. Sem contar com a equipe de Cuba que no último Pan não participou.


Touca 14 -> O nível do pólo aquático americano melhorou neste último Pan?
Quito -> No masculino não, Brasil não participou dos últimos 2 campeonatos Mundiais, Canadá melhorou um pouco, mas não figura na elite do esporte e os EUA que outrora ficavam entre os cinco melhores do mundo, ficaram em nono em Melbourne. No feminino os EUA mantiveram a hegemonia do esporte.


Touca 14 -> Quem foi o melhor jogador deste Pan? E o melhor brasileiro?
Quito -> Alguns jogadores se destacaram: Tony Azevedo e Jesse Smith (USA), Nathaniel Miller (Canadá) e o Mega do Brasil.


Touca 14 -> O que voce achou da torcida no Pan? Voce não acha que deveria ter sido mais explorado a divulgação do pólo aquático brasileiro?
Quito -> Acredito que a torcida teve papel fundamental na vitória do Brasil sobre o Canadá na semi-final, eu que fiquei no banco, pude observar como os atletas canadenses sentiram a pressão e o barulho da torcida. A CBDA teve uma grande oportunidade de divulgar o pólo durante e depois do Pan, mas deixou essa oportunidade passar mais uma vez. Não sei pq os campeonatos nacionais de pólo aquático não são mais televisionados pela Sportv enquanto na natação, até Brasileiro de júnior é transmitido, se o principal órgão não nos ajuda, fica muito difícil.


Touca 14 -> O que este Pan acrescentou para sua vida como atleta e como técnico?
Quito -> Nesse esporte dinheiro e fama não existem, a única coisa que marca são as conquistas e as amizades e com certeza esse Pan foi recheado de conquistas pessoais e coletivas, unindo e consolidando cada vez mais os laços de amizade dos atletas que o praticam puramente por amor.

...o Pré-Olímpico é perda de tempo. Para nos classificarmos, teríamos que ganhar de 4
a 5 jogos mais difíceis que a final do PAN...


Touca 14 -> Quais seus planos para o futuro?
Quito -> Não sei ao certo se continuarei na seleção, se as coisas continuarem assim do jeito que estão acho que saio. O Brasil para poder melhorar a curto prazo, precisa treinar e não somente jogar em alto nível, não adianta nada ficarmos treinando entre nós e viajarmos para disputar campeonatos, precisamos de maior intercâmbio de treinamento com as melhores escolas européias. O pré-olímpico é perda de tempo, para nos classificarmos, teríamos que ganhar de 4 a 5 jogos mais difíceis que a final do Pan, então pq não usamos a verba destinada a esse campeonato para treinamento. Acho que as pessoas responsáveis pelo esporte na CBDA deveriam tentar se basear no modelo usado pelo Canadá, que deu um grande salto de qualidade fazendo algumas modificações na estrutura e no planejamento da seleção.

Touca 14 -> Deixamos aqui este espaço para voce dar seu recado para o nosso público.
Quito -> Todos devem se unir, tanto atletas, técnicos e dirigentes, deixar as diferenças de lado e caminhar em busca de um objetivo comum, o desenvolvimento desse esporte que tanto gostamos, pq já provamos que material humano e condições nós temos.
Grande abraço a todos e obrigado pela oportunidade. Quito #5

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Entrevista com Ricardo Azevedo

Rochinha com a seleção americana, campeã do Pré-Mundial, ano passado, no Rio de Janeiro. Foto: Satiro Sodré.

O brasileiro Ricardo Azevedo, o Rochinha, gentilmente atendeu nosso pedido de entrevista, mesmo num momento conturbado como esse, quando, numa história ainda não explicada, acabou deixando o comando da seleção masculina principal dos EUA, a poucos dias dos Jogos Pan-Americanos. Rochinha fala do seu trabalho frente à seleção americana, elogia os atletas brasileiros, mas reserva-se o direito de ainda não tocar no assunto da sua saída da seleção americana. Ele não confirma, mas também não nega, a versão que tem circulado na internet de que os dirigentes do pólo americano exigiram uma seleção formada apenas com jogadores com menos de 26 anos. Com certeza, mais à frente, os verdadeiros motivos dessa repentina mudança aparecerão. De nossa parte, respeitamos a decisão de Rochinha e aproveitamos para aprender um pouco mais com suas opiniões.


TOUCA 14 WP BLOG – Prof. Ricardo Azevedo, primeiramente, como não poderia deixar de ser, gostaríamos de saber qual foi o verdadeiro motivo da sua saída da seleção americana de pólo aquático? É verdade que os dirigentes americanos exigiram uma reformulação e que a seleção fosse convocada somente com atletas com idade inferior a 26 anos e o sr. não concordou?

Ricardo Azevedo – No momento, eu não tenho a liberdade de lhe dar os detalhes do verdadeiro motivo, mas posso lhe dizer que eu sempre protegerei aos atletas, mesmo que me custe um emprego.

TOUCA 14 WP BLOG – Qual a avaliação que o sr. faz do seu trabalho neste período em que esteve como técnico principal da seleção americana?

Ricardo Azevedo – Durante o meu tempo como treinador e contribuidor, eu desenvolvi a maioria dos programas em ação no momento nos EUA. Escrevi manuais de treinamento, vídeos e gráficos para serem usados pelos treinadores para o desenvolvimento dos atletas. Depois do desastre de 2005, eu trabalhei com o Comitê Olímpico desenvolvendo um programa que funcionaria em trê anos para colocar os EUA de volta no pódio.

TOUCA 14 WP BLOG – Como o sr. analisa a participação dos EUA no último Campeonato Mundial?

Ricardo Azevedo – Jogamos bem, ganhamos da Itália, Austrália, Rússia, Canadá convincentemente, perdemos para a Croácia (que ganhou o Mundial) por dois gols. Estamos perto, mas Roma não foi construída em um dia.

TOUCA 14 WP BLOG – O que o sr. achou do nível técnico do último Mundial? E o resultado final lhe surpreendeu?

Ricardo Azevedo – O nível não foi tão alto como no passado, mas isso foi mais pela data do torneio, a maioria dos países não teve tempo suficiente para a preparação, sete dos nossos melhores jogadores não se juntaram ao time até primeiro de março (duas semanas antes do Mundial).

TOUCA 14 WP BLOG – Qual a sua visão do atual estágio do pólo aquático em nível mundial?

Ricardo Azevedo – O Brasil está num momento igual aos EUA em 1976, quando não se classificou para a Olimpíada. Assim como os EUA, o Brasil tem tudo que precisa para ser uma potência mundial. Os EUA só ganharam medalha em um esporte coletivo (masculino) nas Olimpíadas – basquete. O Brasil é melhor que os EUA em voleibol, futebol, handebol, por que não no pólo aquático?
Mas para o Brasil passar a ser uma potência temos que entrar na estrutura internacional, e é aí que eu acho que está a parte que o Brasil não tem no momento.

TOUCA 14 WP BLOG – Quais são, no seu entendimento, as chances dos outros continentes diminuírem a diferença para os europeus em curto, médio e longo prazo?

Ricardo Azevedo – A Europa encara todos os esportes como profissionais, se os outros continentes fizerem a mesma coisa, esta diferença desaparecerá, a longo prazo o meu programa teria eliminado essa diferença.

TOUCA 14 WP BLOG – Como o sr. acha que o Brasil poderia melhorar sua estrutura a fim de ter participação efetiva nos torneios de pólo aquático em nível internacional?

Ricardo Azevedo – O Brasil sempre teve grandes atletas , mas o que é necessário é um programa a longo prazo, em que os atletas e treinadores possam colaborar e, como a Espanha nos anos 1980, passar a ser uma potência Mundial. Não é falta de atletas, pense num time com Felipe Perrone, Kiko Perrone,Tony Azevedo, Pietro Figlioli, Marcos Santos (atletas com passaporte brasileiro que jogam por outros países), mais os grandes atletas que jogam no Brasil. Esse é um time que joga de igual para igual com qualquer time no mundo.

TOUCA 14 WP BLOG – Com a sua experiência, como o sr. acha que poderia ajudar o pólo aquático nacional?

Ricardo Azevedo – Antes de aceitar o emprego nos EUA, eu entrei em contato com o Brasil. Eu acho que os meus contatos e programa, classificam o Brasil para a próxima Olimpíada.

TOUCA 14 WP BLOG – Qual a sua avaliação sobre a mudança de idade imposta pela FINA?

Ricardo Azevedo – Esta mudança pode ajudar os países no continente americano, se for usada inteligentemente. Não podemos esquecer que quando era essa a idade, o Brasil participou com ótimos resultados no cenário mundial.

TOUCA 14 WP BLOG – Quais são os seus planos daqui pra frente?

Ricardo Azevedo – Eu tenho recebido várias ofertas de clubes e países no exterior sobre a possibilidade de eu passar a ser o treinador e, logicamente, muitas universidades também têm ligado. No momento eu estou apenas escrevendo muito e pensando no futuro, sempre foi meu sonho ganhar uma medalha na Olimpíada ou no Mundial, é a única coisa que eu não tenho no meu portfólio. Eu não tenho nenhum desejo de trabalhar com o USWP, já que atletas e programa internacional não são prioridades no momento.
Começarei a avaliar as ofertas em julho, e darei minha decisão em setembro. A única coisa que dói ao coração é não poder ir ao Brasil e, em frente da família e amigos, mostrar ao mundo o que um brasileiro pode conquistar no pólo mundial .

terça-feira, 26 de junho de 2007

Entrevista com José Werner

O Touca 14 WP Blog entrevista agora o árbitro FINA José Werner, que apitará, mês que vem, o PAN do Rio de Janeiro. Com mais essa entrevista, teremos entrevistado dois árbitros brasileiros no Pan: José Werner e Décio Patelli. Agradecemos a ambos árbitros por terem nos concedido essas entrevistas.

Touca 14 WP Blog - Como você conheceu o pólo aquático? Foi jogador ?

Werner - Comecei aos 15 anos, vindo da natação da Gama Filho. Passei no teste da escolinha e fui treinar com o Prof. Alex Pina. Inicialmente, jogava na linha, mas em um treino de sábado nosso goleiro faltou e o Alex me pediu para agarrar. Nesse dia me tornei goleiro oficial do time (o antigo "Jovens") e não parei mais. Joguei durante 10 anos, sempre no Tijuca, e parei em 1982, aos 25 anos, exclusivamente porque precisava trabalhar e não dava para conciliar os dois. Tive excelentes e saudosos técnicos - Luiz dos Anjos, Édson Pézinho, Waldyr Ramos, Jorge Eiras além, é claro, daquele que me iniciou no esporte: meu amigo Alex Pina. Com eles, consegui um Vice-campeonato Estadual de Jovens 1974, uma pré-convocação para o Sul-Americano do Chile 1975, um inédito Campeonato Carioca Juvenil 1976 (o 1º ganho pelo Tijuca) e um Brasileiro de Adulto em 1982, ano em que "pendurei a sunga".

Touca 14 WP Blog - Por que decidiu se tornar árbitro de pólo ?

Werner - Meu primeiro (e melhor) diretor de pólo, Sr.Bernardo Barradas, me perguntou se eu queria apitar pólo aquático porque na época, 1984, a Federação estava buscando novos árbitros. Achei interessante a idéia e ele me colocou para apitar. Meu primeiro jogo foi no Flamengo, junto com o Sérginho (Lapport) e me senti muito bem, tranqüilo, e decidi continuar. Desde então, entre idas e vindas, são 23 anos respirando pólo aquático, fora e dentro da piscina. Em 1997, combinei com meu amigo Roberto Cabral acompanhá-lo no Mundial Júnior Masculino, em Cuba. Ele foi o árbitro indicado pela CBDA e fui pagando tudo do meu bolso, no melhor investimento que fiz na vida até hoje. Conheci os membros do TWPC da FINA, me tornei amigo da maioria, vi alguns excelentes árbitros atuando (Tulga, Stampalyigia, Madera) e aprendi ao vivo o que era uma competição internacional. No ano seguinte, a CBDA me indicou para o quadro da FINA, onde continuo até hoje e pretendo seguir nessa condição até 2012, quando estoura minha idade-limite para apitar jogos internacionais (55 anos). Desde então, já apitei em 4 Sulamericanos, 3 Mundiais júnior, 2 Panamericanos júnior, 2 etapas da Liga Mundial, 2 Pré-Mundiais Adulto (apitei a final nos 2), e trabalhei como oficial de arbitragem em 1 Pré-Olímpico e na Liga Mundial realizada pela 1ª vez aqui no Brasil (Rio de Janeiro). O interessante é que nas semi-finais da Liga Mundial em Toronto 2005 me tornei o 3º árbitro neutro do Brasil na FINA, depois do Patelli e do Cabral, seguindo os passos do meu amigo Alexandre Meyer-Flugg, o Alemão,que foi nosso 1º árbitro neutro na FINA.

Touca 14 WP Blog - Na sua opinião, qual será a colocação do Brasil no Pan ?

Werner - Como torcedor e brasileiro, claro que gostaria de ver meu País no topo do pódio. As dificuldades encontradas ao longo da preparação, no entanto, me fazem temer por uma colocação aquém da que a equipe poderia conquistar. Excetuando EUA e Canadá, que estão se preparando há tempos para esse Pan (o torneio Pré-Mundial em outubro/2006 e o Mundial de Esportes Aquáticos/2007 foram etapas dessa preparação), as equipes que podem surpreender são as de Cuba e México. Mas, tomara que nossos atletas se superem, e superem também os problemas que encontraram e consigam um lugar no pódio.

Touca 14 WP Blog - Qual foi o jogo mais importante que você já apitou ?

Werner - Todos os jogos são importantes para um árbitro. Uns ficam marcados pelas circunstâncias em que aconteceram ou por um fato inédito mas, para mim, um jogo é sempre diferente do outro. Posso citar, como experência única, o jogo Espanha x Grécia pelas semi-finais da Liga Mundial em 2005, no Canadá. Foi a primeira vez que apitei uma partida entre equipes da Europa e fiquei muito orgulhoso disso. Depois, o ginásio coberto onde ocorreram as partidas estava lotado (cerca de 2000 pessoas), com torcidas das duas equipes fazendo uma algazarra incrível. E a entrada era cobrada (cerca de 5 dólares canadenses). Um show. Fora a partida, que terminou 9 x 9 no tempo normal e foi para os penaltis (na Liga não há prorrogação). A Espanha venceu por 20 x 19, ou seja, cobrou 11 penaltis para vencer a Grécia, numa partida que decidia uma colocação melhor no cruzamento das finais da Liga. Foi único assistir de um lado atletas como Felipinho e Kiko Perrone, Molina, Ivan Perez e do outro os irmãos Afroudakis e o restante da equipe que, em 2006, seria 3ª colocada nas Olimpíadas de Atenas fazerem um jogo disputado, de altíssima técnica mas sobretudo LIMPO, sem teatro ou deslealdade. E também me chamou à atençao a educação dos atletas, cumprimentando os árbitros e os oficiais de arbitragem após as partidas.

Touca 14 WP Blog - Por quais motivos você acha que o pólo aquático brasileiro se encontra em sua atual situação ? E o que deve ser feito para sair dela ? A desfiliação da CBDA seria uma boa saída ?

Werner - A saída para o esporte no Brasil, não só para o pólo aquático, seria o investimento nos esportes na base, ou seja, nas escolas. Colocamos a responsabilidade da formação do atleta nas mãos dos clubes e esses deveriam receber esses atletas já preparados para a prática desportiva. Fazer esporte no Brasil é caro e só favorece uma minoria. Trabalho em uma escola do município (Sambódromo) e me entristece a ociosidade daquele espaço ao longo do ano, esperando pelo próximo carnaval ou pelo próximo show. Atendo alguns alunos com grande potencial para a prática desportiva, mas que não têm a oportunidade de explorar isso de forma orientada. As Vilas Olímpicas, de boa idéia, passaram a ser problema, na medida que se tornaram moeda de troca para alguns políticos. Então, sobram os clubes que mal conseguem se sustentar com seus quadros de associados. Como esperar investimentos se eles mal pagam seus funcionários? Quanto à CBDA, ela existe para dar suporte aos clubes e às federações, não para formar atletas. Sendo uma entidade regida pelo sistema presidencialista, o que é feito parte de premissas estabelecidas pela presidência e que devem ser seguidas pelos respectivos supervisores. Acredito que sem o suporte da CBDA, nenhum esporte aquático conseguirá se manter sozinho. Se as políticas estão certas ou não, é outra história, e aí caberia discutí-las mas sempre dentro do âmbito da Confederação.

Touca 14 WP Blog - Tendo em vista a entrada de alguns árbitros novos no último Festival Infantil de Inverno, o que você acha que é preciso para ser um bom árbitro de pólo ?

Werner - Para ser um bom árbitro de pólo, em primeiro lugar, você tem que GOSTAR de estar na beira da piscina decidindo ações em menos de 1 segundo, ignorando os gritos, nem sempre inteligentes da torcida e suas ofensas, agindo contra as pressões dos treinadores e dos atletas e tendo que aplicar uma regra que não te dá limites para dúvida. Ou seja, você tem que ser um pouco "maluco". Além disso, ter sido jogador é FUNDAMENTAL ! E por último, mas não menos importante, TEM QUE SABER A REGRA DO JOGO ! Um conselho que dou aos novos árbitros é que treinem pelo menos 2 vezes por semana em clubes diferentes para aprender a aplicação correta da regra, para melhorar a velocidade de raciocínio, cuidar da forma física (ajuda nos reflexos na hora do jogo) e que LEIAM A REGRA todos os dias. Acho ótimo estarem surgindo novos árbitros, porque a minha geração está parando ou vai parar daqui há pouco e não teremos árbitros para escalar.

Touca 14 WP Blog - Algumas pessoas não veêm com bons olhos você ser árbitro e técnico da escolinha do Tijuca Tênis Clube, como você encara essas críticas ?

Werner - Eu nunca justifico nada, sabe por que ? Porque os amigos não precisam e os inimigos não acreditam. Ser árbitro de pólo aquático NÃO é minha profissão. Minha profissão é de Professor de Educação Física e o Tijuca é um dos meus empregos desde sempre. Iniciei minha vida profissional lá e já se vão 25 anos entre idas e vindas. Ninguém no pólo aquático está desligado de algum clube e essas críticas não me incomodam em nada. Trabalho como professor da escolinha de pólo, na formação dos futuros atletas das equipes, principalmente a infantil e o feminino (nossa escolinha é mista) e minha ligação com as equipes termina aí. Quando assumi a equipe feminina em 2004, sabia que não poderia apitar e ser treinador, embora tivesse o respaldo da FINA para tanto, já que o Brasil gosta de ser a vanguarda do atraso em algumas situações. Nada me impedia de trabalhar com o feminino e apitar jogos do masculino, desde que não fosse do Tijuca, claro. Aliás, nem jogos do grupo do Tijuca em campeonatos oficiais da CBDA eu apito, para evitar insinuações de ajuda ao meu clube. Deixei de treinar o feminino por solicitação pessoal do presidente da CBDA, que me convenceu de que eu seria mais útil à Confederação como árbitro FINA do que como treinador. Aceitei seus argumentos, muito por conta da instabilidade em ser técnico, e decidi continuar na arbitragem. Portanto, quem fala não sabe o que está dizendo. Continuo com a equipe feminina, como treinador de goleiras, além de treinar os goleiros do infantil, e nosso trabalho segue em frente.

Touca 14 WP Blog - Você acha que alguma regra do pólo deveria ser mudada/incluída/excluída ?

Werner - Para agilizar a dinâmica do jogo, seria interssante se testar a substituição normal do jogador durante a partida permitindo a entrada do substituto pelo meio de campo, em frente à mesa de controle, desde que sua equipe estivesse no ataque e já tivesse passado do meio-campo. O jogador substituído também sairia pelo meio da piscina e nadaria até o seu banco de reservas. No restante da regra, acho que as modificações feitas tornaram o jogo mais disputado, além de exigirem mais da arbitragem em termos de atenção, conhecimento da regra e controle do banco de reservas.

Touca 14 WP Blog - Como se sente sabendo que irá apitar o Pan no Rio de Janeiro ? Pode deixar uma mensagem para a comunidade do pólo aquático brasileiro.

Werner - Me sinto feliz e orgulhoso porque é uma honra representar o país em um evento dessa magnitude na minha cidade. Quanto à mensagem, que não se percam as esperanças em dias melhores para nosso esporte. Isso não depende de ajuda oficial ou extra-oficial de quem quer que seja. Depende apenas daqueles que gostam do esporte e que querem vê-lo em um outro patamar, com mais visibilidade e apelo. Temos que deixar de ser um "esporte secreto" e partir para ações ordenadas, inteligentes e que agreguem as pessoas em torno delas. Esse é o caminho e espero que o objetico seja atingido.


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Foto da Premiação do Trófeu do Blog no Estadual Juvenil



Da esquerda para a direita: Cirilo, do Botafogo, Touca de Prata, Guilherme, do Flamengo, Touca de Ouro e Bernardinho, do Tijuca, Touca de Bronze.

Foto: Eliane, mãe do Bernardinho.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Entrevista com Décio Patelli

O Touca 14 WP Blog entrevista o Sr. Décio Patelli, árbitro FINA e que irá apitar o PAN 2007. Não conseguimos postar a entrevista antes devido aos sucessivos campeonatos que não permitiam o destaque necessário para essa matéria.

Touca 14 WP Blog - Como você conheceu o pólo, jogou por algum clube? E quando virou árbitro?

Patelli- Eu era nadador e com 13 anos me mudei para a equpe de pólo aquático do Bauru Tênis Clube. Joguei por 18 anos e comecei apitando os treinos do clube. Um dia, o Sr. João Gonsalves, que na época coordenava os JEBS (Jogos Estudantis Brasileiros), me convidou para apitar em João Pessoa, quando voltei fiz o curso oficial da Fedeção Paulista e estou aqui até hoje.

Touca 14 WP Blog - O que você acha do desenvolvimento do pólo aquático em São Paulo e em Bauru, sua cidade natal?

Patelli - Eu acho que o Pólo Aquático em São Paulo tem tido um bom desenvolvimento. Temos forçado de maneira muito forte o trabalho nas categorias de base, os clubes demoraram a entender esse nosso objetivo. A Liga Paulista tem sido um sucesso, é o único torneio com premiação em dinheiro, isso é um estímulo para os clubes. A Liga funciona mais ou menos como o Festival Infantil, só que na categoria adulto, você tem, então, todos jogando o dia todo e, às vezes, dois dias. Isso é, sem dúvida, um treino muito forte e com sabor de competição. Queremos fazer a Liga tambem no feminino (no futuro). Temos muito ainda por fazer, mas se depender de mim vou fazer ainda mais. Bem, o pólo aquático em Bauru segue esta trajetória, muito trabalho nas categorias de base. NÃO ESTOU ENVOLVIDO COM A DIREÇÃO DO PÓLO EM BAURU.

Touca 14 WP Blog - Quais são as suas expectativas para o PAN, como árbitro e como torcedor?

Patelli - Tenho muito chão em competições internacionais, mas nada está sendo para mim como apitar o Pan em casa, era tudo o que eu queria. Acho que vai ser um grande momento na minha vida como árbitro. Como torcedor queria que o Brasil se classificasse para os jogos de Pequim tanto no masculino quanto no feminino.

Touca 14 WP Blog - A que se deve, em sua opinião, a situação do pólo brasileiro, que não conquista resultados expressivos há muito tempo?

Patelli - Olha, essa sua pergunta é dificil mas como sou economista de formação universitária e empresário de profissão, te digo, quando uma empresa quer crescer tem, primeiro, que estabelecer um objetivo, segundo planejar para chegar neste objetivo, terceiro iniciar e chegar onde se objetivou. A vida é assim e assim tambem tem que ser o pólo aquático.

Touca 14 WP Blog - O que você acha que tem que ser feito, a longo prazo, para que o pólo aquático brasileiro se torne uma potência no esporte ?

Patelli - Acho que se encaixa na resposta acima.

Touca 14 WP Blog - Qual foi a partida mais importante que você já apitou?

Patelli - A partida mais importante geralmente não é a mais dificil. As mais importante foram as duas medalhas de bronze nos Mundiais de FUKUOKA (2001), Canadá x EUA e MONTREAL (2005), Rússia x Canadá, a mais dificil foi na Super final da Liga Mundial em Atenas (2006), Grécia x Austrália.

Touca 14 WP Blog - Há alguma regra que você acha que deveria ser mudada/excluída/incluída no pólo ?

Patelli- A FINA tem feito um exelente trabalho nas mudanças das regras tornando o esporte cada vez mais veloz. Quanto a excluir algo, acho muito severo quando o jogador entra irregular ser excluido com substituição, deveria ter uma punição mais branda. Quanto a incluir algo, colocaria um jogador a mais no no banco, seria um total de 14 e com um segundo goleiro obrigatório.

Touca 14 WP Blog - Muita gente o critica por você ser árbitro e dirigente da FAP ao mesmo tempo. Como você vê essas críticas?

Patelli - Muita gente me pergunta sobre isso, meu cargo na FAP é executivo, tenho que criar coisas novas, planejar o futuro do pólo em São Paulo, administrá-lo financeiramente e viabilizá-lo. Tenho feito isso graças a um trabalho de equipe que é muito competente. Tenho tido o respaldo do Dr. Miguel (presidente da FAP), que está sempre informado de tudo o que acontece no nosso departamento. Não sou remunerado na FAP e dedico dois dias por semana para tratar do pólo aquático paulista em São Paulo. Quando estou na piscina como árbitro nunca trato ou tratei de assuntos relativos a adminstração da FAP, quem me conhece sabe como eu sei separar as coisas, sou um nas reuniões com diretores na sede da FAP e árbitro com os técnicos e jogadores na piscina. Se você me perguntar o que gosto de ser, te digo SOU ÁRBITRO, amo muito tudo isso (parodiando o comercial do Mc Donald's).

Touca 14 WP Blog - O universo do pólo brasileiro é minúsculo, todo mundo se conhece, técnicos, atletas, árbitros, dirigentes e torcedores. Como você encara as reclamações durante os jogos, tendo, ao mesmo tempo, que manter a autoridade de árbitro?

Patelli - Bom, quando você apita uma partida tem que se concentrar na mesma. Eu durante minha carreira de árbitro aprendi isso muito bem, não ligo para xingamentos e torcida, pois acho que quem vai a um jogo tem que ter suas preferências, só acho que as pessoas, às vezes, confundem paixão, coração, com educação. Mantenho minha autoridade respeitando os técnicos ou jogadores, pois só assim consigo o respeito dos mesmos. As regras de pólo aquático são muito dificies e muitas pessoas não as conhecem, então quando um pai ou mãe vai a uma partida, acha que estão matando seu filho, dai o árbitro, às vezes, pagar por isso.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Bate-papo sobre pólo - resposta do prof. Ricardo Cabral

Mais uma vez, de forma gentil e prestativa, o prof. Ricardo Cabral responde sem demora nossas colocações, de novo com argumentos consistentes de quem tem o conhecimento da causa.


Caro Clodoaldo,

Em primeiro lugar, quero parabenizá-lo por sua opiniões as quais você sustenta com muita propriedade. Quando me refiro à uma politica assistencialista, me refiro à uma postura acomodada de ficar esperando que os outros resolvam nossos problemas.
É claro que a FINA deveria ter um programa para o desenvolvimento do pólo aquático mundial, levando nosso esporte além das fronteiras do Velho Mundo.
Participei de uma discussão nesse sentido no Mundial de Montreal e, a principal questão, era descobrir a melhor forma de se fazer isso.
Alguma inciativas sempre existiram. Entretanto, ineficazes para atingir os objetivos pretendidos. Entre elas estão a realização de Clínicas Técnicas e a criação da Liga Mundial.
Na verdade, o que nós do Terceiro Mundo precisamos é jogar com os melhores. Somente estando entre os melhores é que subiremos nosso nível. Acredito, sim, que esse é o grande desafio. Como fazer os países afastados do grande centro, estarem permanentemente em contato com os melhores.
Só o dinheiro resolve? Não sei. Um exemplo é o Japão que possui uma das melhores economias do mundo, possui uma excelente política esportiva e há anos tenta e não consegue nada. O Canadá, só agora, após algumas mudanças internas conseguiu ocupar um lugar ao sol no segundo escalão do pólo mundial.
Analogamente, temos aqui no Brasil, o mesmo problema. Enquanto não "diminuirmos" a distância geográfica que separa o eixo Rio-São Paulo das demais regiões do País, o pólo aquático não terá o desenvolvimento que pretendemos.
Continuo achando, assim como você, que o pólo aquático é um produto que deve se melhorado no sentido de atrair mais consumidores. Como você bem disse, é a Lei do Mercado. Por isso fiz uma crítica ao jogo transmitido pela televisão que continua aquém das expectativas.
Costumo dizer que não existe um culpado para o nosso pólo encontrar-se na situação que está. Temos, sim, vários responsáveis por isso que passam pelos dirigentes, atletas, árbitros, técnicos e assistentes diretos.
Quanto a criação da WPD, a FINA essa semana, emitiu uma nota oficial à todas as suas Filiadas, alertando sobre a criação da WPD e ao mesmo tempo não reconhecendo tal entidade e orientando o não envolvimento das Federações Internacionais filiadas.
Como você pode ver, existe uma distância muito grande que separa o discurso da prática.
Um abraço
Ricardo Cabral

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Bate-papo sobre pólo com o prof. Ricardo Cabral - continuação

Continuando o bate-papo sobre pólo aquático, gostaria de ressaltar, mais uma vez, a importância desse espaço de diálogo, em especial pelo fato do prof. Ricardo Cabral estar sendo tão atencioso e interessado. De novo vou fazer o contraponto, tentando, assim, tornar a discussão cada vez mais clara. Dessa vez vou dividir minha participação em duas partes para a postagem não ficar muito grande. Nessa primeira vou levantar questões relativas apenas a difusão e ao desenvolvimento do pólo no mundo, deixando a parte sobre a dinâmica do jogo para uma outra oportunidade.

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que a insistência no tema sobre o papel da FINA no desenvolvimento do pólo em nível global não passa pelo viés puramente assistencialista. Não se trata de propostas indecorosas como a dos dirigentes chilenos e uruguaios de que alguém teria que sustentar os mais fracos. O que eu insisto é que a FINA deveria atuar mais ativamente na difusão do pólo no mundo, tanto no nível técnico, aumentando o intercâmbio, quanto na criação de fundos e recursos exclusivos para programas que incentivem a prática do pólo fora dos centros já consolidados. Usando a FIFA mais uma vez como exemplo, é importante assinalar que além das ações de intercâmbio, já citadas em outra oportunidade, a FIFA possui programas destinados à distribuição de recursos que vão desde o FAP (Programa de Assistência Financeira), que distribui igualitariamente recursos entre todos os afiliados e confederações, independente do tamanho ou qualificação técnica, até programas específicos para áreas em que o futebol está em desenvolvimento, como o GOAL. Foi através de programas como esses que a FIFA pôde, gradualmente, aumentar o número de participantes na Copa do Mundo, diminuindo a distância entre os centros e as periferias. Eu, particularmente, desconheço ações desse tipo implementadas pela FINA.

Quanto as Olimpíadas, cujo lema é o congraçamento dos povos, acredito que ela é o palco dos melhores atletas de cada continente, ideal expresso inclusive no seu símbolo, os cinco anéis entrelaçados, representando os cinco continentes. Daí minha crítica à distribuição de vagas olímpicas.

Porém, concordo integralmente com o prof. Cabral quando ele assinala: “Quem quer ser grande, que corra atrás, se planeje e realize seus sonhos”. Essa tem sido uma de nossas principais críticas ao pólo brasileiro, justamente a falta de um planejamento e de “correr atrás”. Contudo, volto a fazer uma ressalva por respeito ao papel da FINA. É necessário divulgar o pólo, para que os países despertem o desejo de serem grandes no pólo. Sem esse trabalho de divulgação a maioria vai preferir ser grande no futebol, no basquete, no vôlei etc. Não basta ter um bom produto, é preciso uma boa apresentação e, fundamentalmente, uma boa distribuição. Se o seu produto não estiver disponível, o consumidor compra o do concorrente.

Dias atrás traduzi e postei aqui no blog a matéria publicada no site www.waterpoloworld.com sobre a fundação da Water Polo Development (WPD). Muitas das questões levantadas aqui nesses nossos bate-papos foram contempladas na citada matéria. As incertezas que levantamos por respeito ao futuro do pólo extrapolam a nossa condição de “periferia” e parecem preocupar, também, parte da elite aquapolista. A WPD é uma associação independente, fundada por expoentes da história do pólo que, pelo jeito, cansaram de esperar por uma atitude da FINA. Nesse sentido, aproveito nosso espaço para fazer algumas perguntas diretas ao prof. Cabral: com base no fato do sr. ser um dos dirigentes do pólo brasileiro e possuir larga experiência no tema, o que o sr. achou da fundação da WPD? Este é um caminho viável para o desenvolvimento do pólo? É possível que algum movimento produtivo se desenvolva a partir daí? Por que a FINA não abraçou essa proposta antes que uma associação independente resolvesse assumi-la?

Espero que fique claro que não estou cobrando respostas definitivas, mas sim sua opinião a partir da sua vivência no meio.

Encerro aqui, esperando continuar nosso papo em breve.


terça-feira, 6 de março de 2007

Entrevista com o Prof. Ricardo Cabral

Sábado de carnaval, estavamos eu e a família curtindo um solzinho na praia da Barra da Tijuca quando encontrei o Prof. Ricardo Cabral e lá fui eu perturbá-lo com papo de Pólo Aquático. Mas como todo apaixonado pelo que faz ele me atendeu com muita satisfação e cordialidade. Conversamos longamente e, deste papo, pude depreender que a realidade do Pólo Aquático nacional é muito complicada. Posteriormente, lhe solicitei esta entrevista para que pudéssemos trazer à público uma transparência maior dos últimos acontecimentos. Na minha opinião, é desta forma que podemos e devemos começar a mudar os rumos desse maravilhoso esporte. A todos os amigos que nos acompanham uma boa leitura e, ao Prof Ricardo Cabral o agradecimento dos criadores deste blog pela gentileza em nos conceder esta matéria.
POLOTTC – Prof. Ricardo Cabral o Sr. poderia nos contar como começou o seu envolvimento com o Pólo Aquático?

Primeiro como atleta do Botafogo.F.R, na década de 70. Depois, como técnico no Clube de Regatas Guanabra, 02 passagens pelo Fluminense.F.C e 01 passagem pelo Botafogo F.R. Comecei na CBDA em 1996, convidado pelo Dr.Coaracy para organizar um Campeonato Sul-Americano no Rio, e continuando até a presente data, sempre exercendo paralelamente atividades docentes na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

POLOTTC – O Pólo Aquático brasileiro atravessa uma fase nebulosa. Qual foi, na sua opinião, a melhor fase do Pólo no Brasil e o que a CBDA pretende fazer para melhorar a popularidade, a difusão e o crescimento do Pólo no país?

Acredito que a palavra nebulosa possa ser substituída por um “período de transição”, principalmente quando se busca uma definição dos verdadeiros objetivos do pólo aquático brasileiro em todos os seus segmentos: administrativos, técnicos e de participação dos atletas. Do ponto de vista internacional pan-americano e sul-americano, sempre nos mantivemos entre os três melhores das Américas. Alcançar as equipes européias, continua, ainda, sendo um sonho distante não só para o Brasil, mas para o continente pan-americano. Exceção para o pólo feminino dos EUA e Canadá. A difusão do pólo aquático não depende exclusivamente da CBDA. Ela deve começar de baixo para cima. Nunca vi nenhum movimento de transformação social com sucesso que não tenha sido nessa direção. Como sempre digo, a CBDA não pode “obrigar” o Minas Tênis Clube ou o Álvares Cabral a ter pólo aquático, nem tão pouco o Flamengo, Fluminense ou Pinheiros a colocar atividades de pólo às 03:00h da tarde, hora de maior movimento de piscina nos clubes. Resumindo, cobra-se muito do andar superior mas ninguém consegue reverter a situação nos andares de baixo.

POLOTTC – O Sr. é favorável a vinda de estrangeiros para disputar apenas um torneio? O que a CBDA pode fazer para tornar nossos torneios mais atrativos e mais equilibrados?

A natação no Brasil deu um salto grande de qualidade, quando equipes de ponta começaram a trazer atletas renomados internacionalmente. Além do impacto na mídia, nossos nadadores puderam ver que as “feras internacionais” tinham também dois braços e duas pernas. Na falta de um maior intercâmbio internacional, decorrente de uma série de variáveis, acredito que essa é uma boa opção. Parabéns aos clubes que conseguem viabilizar isso. Isso é uma forma de tornar os torneios mais atrativos. Quanto a intervenção da CBDA para um equilíbrio, isso só seria possível se o esporte fosse profissional e gerenciado por uma Liga que determinasse e cobrasse as diretrizes da competição. Limitar o número de estrangeiros já é uma forma de buscar um equilíbrio.

POLOTTC – Muito têm sido falado, pelos que vivem o pólo, que a salvação deste esporte estaria na criação de uma Confederação independente. O que o Sr. teria a dizer sobre o assunto?

Sinceramente conhecendo a estrutura esportiva do país, acredito que isso é uma utopia. Captar recursos para o pólo aquático é uma tarefa árdua. Muitos pensam em conseguir, poucos realmente tentam e quase ninguém consegue. Quando se consegue, trata-se muito mais de um apoio do que um patrocínio. Costumo chamar isso da “Teoria do Tostine”. As pessoas acima de 35 anos seguramente vão lembrar. “ O pólo aquático não dá resultado porque não tem patrocínio, ou não tem patrocínio porque não apresenta resultados?”. Graças a Deus, nós, amantes do pólo aquático, temos os Correios na CBDA há quase vinte anos.

POLOTTC – A FINA pretende colocar em votação no próximo mundial a alteração da idade para categoria Júnior, passando a vigorar o ano de 91 a partir de 2008. Qual a posição da CBDA em relação a esta mudança? O Sr. acha que será benéfico para o Brasil?

Já participei de algumas votações em Campeonatos Mundiais e, posso assegurar que a decisão já está tomada. Não sei ainda qual será, mas com certeza a opinião dos segundo e terceiro escalões do pólo mundial vai interferir muito pouco, ou quase nada. O que sei é que a FINA ao propor isso, pretende diminuir a diferença técnica existente na categoria, já que atletas de 20 anos em paises fortes já são, na maioria das vezes, profissionais. Estive agora numa reunião da CONSANAT na Venezuela, e contraditóriamente , os países sul-americanos gostariam de manter como está, porque essa é a única forma (com exceção do Brasil), de se enfrentar equipes mais fortes. Não vou responder pela CBDA, até mesmo porque não fomos consultados oficialmente, talvez o façam em Melbourne, mas em minha opinião uma mudança seria mais favorável a nós, tendo em vista que sempre formamos na base atletas com grande potencial para modalidade. Até os 18 anos, é só treinar muito e estudar. Não vamos precisar ouvir desculpas.

POLOTTC – Na última semana circulou a notícia de que dois atletas do Fluminense, convocados para seleção adulta que disputará o PAN, foram cortados por terem faltado a um treino. O Sr poderia esclarecer para o público o que realmente ocorreu?

As notícias nem sempre são veiculadas de forma precisa. As distorções da realidade acontecem. As vezes, de forma intencional e com objetivo de desestabilizar. Recebi do Coordenador de Seleções a lista de freqüência dos jogadores de dezembro até agora e posso assegurar que não foi somente 01 treino. Esse treino foi a chamada “gota d’água”. É preciso entender que não vamos chegar nunca a lugar nenhum sem um grande comprometimento. Dizer que treina muito é uma coisa. Mostrar que treina muito é outra. Ah já sei . Vão dizer: Eles não são profissionais! Não tem a obrigação de uma dedicação quase exclusiva. Não concordo com isso e já pude observar nos jogadores mais novos uma mudança na mentalidade. Estamos começando a criar uma “cultura de treinamento do pólo aquático”.

POLOTTC – Em se confirmando a mudança da idade na categoria Júnior, o Sr não acha que os atletas 91 e 92 são muito inexperientes para disputas internacionais? O que a CBDA pretende fazer para colocar estes atletas preparados para as próximas disputas?

Mais uma vez digo que não é somente a CBDA a responsável direta por isso. No mês de janeiro, o Ângelo levou para Espanha um grupo de jogadores que estão querendo investir na melhora pessoal. Em qualquer país do mundo, o intercâmbio internacional nessa faixa etária não é custeado por uma Federação Internacional. Tenho um projeto que, infelizmente, ainda não consegui implantar. Levar a cada ano 15 atletas (até 17 anos) e 05 técnicos para um estágio internacional. Infelizmente não tenho a caneta para assinar os cheques e entendo também que os recursos não são tão fartos como parecem. Talvez um meio a meio possa se tornar viável. Já conversei com o Ângelo e vamos tentar para o próximo ano alguma coisa.

POLOTTC – O que a CBDA pretende fazer para que os atletas 89 e 90 não fiquem desestimulados e parem de jogar Pólo?

A nível nacional fazer um campeonato sub-20. Como estamos iniciando uma fase de mudanças que se concretizará, principalmente, após os Jogos Pan-Americanos, fatalmente esses atletas estarão disputando vaga nas próximas Seleções Adultas.

POLOTTC – Na sua opinião, quais são as reais chances das nossas seleções no PAN2007?

Podium. Não sei qual. Mas com certeza estaremos nele.

POLOTTC – Para terminar, o diário esportivo LANCE divulgou a algumas semanas que a CBDA recebeu recursos da Lei Agnelo/Piva para manutenção da comissão técnica e de seleção permanente de todos os esportes aquáticos. O que o Sr pode relatar a respeito deste assunto?

Isso já acontece há pelo menos 03 anos. São 15 atletas no feminino e 15 atletas no masculino. 06 técnicos, 02 preparadores físicos, 02 médicos e 02 coordenadores. . Esse ano, os atletas do masculino receberão de março a dezembro, já que os meses de janeiro e fevereiro foram utilizados para definir o grupo de jogadores que irão até o Pan. No feminino, elas já estão recebendo desde janeiro, e receberão até dezembro como habitualmente, já que o grupo está definido.