
Matéria do site: www.globoesporte.com de 04/01/2011.


Foto: Ivo GonzalezNosso colaborador-honorário Guilherme Azevedo, sobrinho do treinador Ricardo Azevedo, o Rochinha, esteve na Itália visitando o tio e aproveitou para nos enviar essa entrevista que ele fez com o Marco Paulo "Manguinha" Santos, centro convocado para a seleção brasileira que está jogando na equipe do Rochinha, o Camogli, da Série A2 da Itália. Valeu, "Banana"!
1) Você pretende voltar para a Califórnia para completar sua graduação ou sua vinda para a Europa é o começo de sua carreira no pólo aquático europeu?
Sim, estarei voltando para a Califórnia pra completar o resto da minha graduação [Manguinha estuda na UCLA], tudo vai depender se irão renovar o meu contrato após esse ano, mas este é o início da minha carreira no pólo aquático europeu.
2) Há comparação entre o nível do pólo aquático americano e o do pólo aquático da Série A2 italiana?
Sim, em certos aspectos e em outros não. O nível do pólo aquático europeu é sem dúvida mais forte, principalmente o italiano.
3) O que você espera da participação brasileira no Pré-Olímpico da Fina, que será disputado em março, na Romênia [a entrevista foi feita na semana do Pré-Olímpico]?
Eu espero que eles consigam a vaga para a Olimpíada, mas sem dúvida a chave do Brasil é forte e será bem difícil.
4) Você pretende jogar, nesse ano, algum torneio no Brasil?
Isto realmente eu não sei, se existir a oportunidade iria com certeza.
5) Dentro de sua experiência no pólo aquático americano e agora no europeu, você tem alguma sugestão para o pólo aquático brasileiro?
O Brasil, sem dúvida, possui ótimos jogadores, nós possuimos grandes atletas, porém muitas das vezes não são aproveitados, para mim a melhor sugestão seria investir nos novos atletas.
6) Você já está totalmente adaptado ao pólo aquático italiano? Esta adaptação foi díficil?
Estou me adaptando, não é que seja difícil, mas os costumes são outros, o jeito de jogar, e sempre se aprende algo novo a cada dia.
7) Você acredita que sua equipe subirá para Série A1 italiana nessa temporada?
Sim acredito, nosso time melhora a cada dia, estamos em primeiro, invictos, nosso time é bom, temos um excelente técnico, o conjunto é unido. Acredito que iremos subir para A1, sim.
8) Como é trabalhar com o Ricardo Azevedo?
É ótimo trabalhar com ele, está sempre preocupado com o atleta, entende de polo aquático como poucas pessoas, é um treinador bastante técnico, não da esporros, procura ajudar a melhorar o jogador sempre.Estou muito feliz em estar trabalhando com ele.
Foto: prorecco.itO site oficial da seleção húngara de pólo aquático lançou uma nova seção em que os jogadores da seleção respondem as perguntas dos fãs. O primeiro jogador a participar foi o craque Tamas Kasas, que joga atualmente no Pro Recco, da Itália. Kasas, em uma das respostas, diz que gosta muito de ler e que um dos seus autores preferidos é o brasileiro Paulo Coelho, de quem já leu todos os livros. Kasas comenta também sobre sua aposentadoria da seleção após as Olimpíadas, sobre os sérvios, sobre sua preferência pelo sul da Itália etc. Abaixo postamos uma rápida tradução da entrevista a partir da versão em inglês disponibilizada por Agota Cseri, colaborador do site prowaterpolo.
Existe algum movimento oficial (FINA, LEN) no sentido de utilizar equipamentos eletrônicos (câmeras subaquáticas, um vídeo-juiz) para garantir o jogo limpo e punir as jogadas e jogadores violentos?
Infelizmente, não sei nada sobre esse assunto, mas é uma questão legitima.
Para ex-jogadores, ou pessoas que conhecem o jogo, a sensação que dá é que muitos jogadores da seleção estão desmotivados e perderam o entusiasmo. A maior agressividade e concentração dos adversários chega a incomodar. O que você acha que seria necessário para você chegar “voando” nos grandes jogos?
Eu não concordo. Não acho que tenha passado essa impressão nos jogos finais mas, claro, eu espero mais de mim. Isso tem a ver com o meu jeito: se o jogo está caminhando ok, eu mantenho minha fisionomia impassível. Espero estar bem fisicamente e sem contusões. A motivação nunca foi um problema e não temo que venha a ser, especialmente antes das Olimpíadas . A agressividade e a atenção dos adversários sobre mim não mudou nesses últimos dez anos. Quando nós vencemos, eles marcaram forte, tanto quanto agora. Se eu estou bem fisicamente, isso não me incomoda.
Quais são seus planos para o futuro? Existe a possibilidade de você continuar na seleção? Você planeja jogar na Liga Húngara ou continuar na Itália?
Se eu tivesse que decidir agora, eu diria que, após as Olimpíadas, eu deixarei a seleção. Mas... você nunca sabe. De qualquer forma, eu quero jogar na Hungria, talvez no ano que vem. Estou jogando na Itália há dez anos e ultimamente tenho sentido, cada vez mais forte, que já é o bastante.
Quem você destacaria na seleção que, mesmo não sendo artilheiro e não chamando muita atenção do público, tem um papel decisivo no sucesso (assistências, defesa, personalidade)?
Numa equipe todos os jogadores são importantes, e você não consegue resolver nada sem o outro. Eu não destacaria ninguém. Não acho que minha função seja a de marcar muitos gols. Dar uma assistência ou roubar uma bola me dá o mesmo prazer. É evidente que há jogadores que não são tão notados pelo público, mas eles são fundamentais para o sucesso da equipe.
O que você aconselha a um garoto de 14 anos de idade que joga pólo aquático mas que quer praticar mais seriamente? Devo continuar, por enquanto, no interior, numa equipe fraca, ou devo me mudar para Budapeste, aonde eu posso jogar melhor e sobressair? Como você se aquece e se prepara para um jogo difícil?
Você precisa de muita paixão e persistência para jogar pólo aquático. Se você tem talento, não deve se contentar com o que você sabe. Tem que aprender e melhorar. Eu não acho que a questão seja “interior vs. capital”: se você joga bem e receber uma boa oportunidade de uma equipe em Budapeste, arrisque. O importante é nunca estar contente com o seu conhecimento atual. Eu faço o mesmo aquecimento para todos os jogos. Mas cada um é que sabe o quanto precisa se aquecer antes de cada partida. Antes de jogos importantes eu fico nervoso como todo mundo, mesmo que as pessoas não consigam perceber. Na verdade, eu não penso em nada antes dos jogos. Na piscina você tem que tomar a decisão certa numa fração de segundos... é difícil estar preparado para isso. O importante é estar tranquilo e cheio de confiança.
Você acha que a equipe da Olimpíada de Atenas era mais forte do que a atual?
Os resultados mostram que a equipe campeã olímpica era mais forte. Depende de nós sermos mais fortes em Pequim.
Com base nos últimos torneios, parece que o nosso time é fisicamente mais “fino” do que os rivais (Sérvia, Croácia). Como fazer para compensar isso? Ou eles são mesmo melhores em tudo?
Os sérvios são muito fortes. A pernada deles é excelente. Além do que, eles são bons jogadores de pólo aquático com grandes novas gerações, que eles vêm trabalhando há muitos anos. Nós temos que agüentar o tranco e entrar com tudo nas competições. E temos boas chances de fazer isso. Mas seria ingênuo se preocupar apenas com a Sérvia.
Você disse que lê muito. Que tipo de livros você lê?
Já li todos os livros de Ken Follet e Paulo Coelho. Também li alguns pensamentos interessantes de Osho. Tenho vários livros sobre Buda. Gosto de livros filosóficos sobre a vida e as emoções das pessoas. Tem também um escritor italiano, Fabio Volo, de quem já li três livros.
Se você tivesse direito a dois pedidos, quais seriam?
Saúde para as pessoas que amo e para mim. E mais sucesso no esporte.
De onde veio o número 5 da sua touca?
Eu comecei a usar esse número quando era treinado por Gyorgy Horkai... e me ajustei bem a ele. Eu realmente gosto desse número.
Você consegue se imaginar morando na Hungria quando parar de jogar? O que o atrai em jogar no exterior? Quais novas perspectivas de vida você aprendeu com os italianos?
Sim, eu imagino minha vida depois do pólo aquático na Hungria, mas ainda não sei exatamente o que vou fazer. Eu vivenciei a diferença ente o Norte e o Sul. Eu vivi seis anos em Nápoles, aonde as pessoas são mente aberta, relaxadas e alegres. Eles não esquentam com nada. O Norte é justamente o oposto disso.
Quais as vantagens profissionais que você tem jogando na Liga Italiana? Quais as diferenças entre jogar na Itália e jogar na Hungria? Alguma diferença de atitude e cultura entre os jogadores?
Sinceramente? A minha carteira está mais gorda. E jogo numa Liga mais forte. Eu sinto falta de muitas coisas da Hungria. O pólo aquático é muito mais popular na Hungria e o agito em volta é muito maior. Aqui na Itália é tranqüilo. Não há fotógrafos atrás dos jogadores. Nós treinamos, no estilo italiano, e é nisso que devemos nos concentrar. Mas é claro que em ano Olímpico os atletas têm que se preparar o ano todo.
O que você precisa para voltar a jogar na Hungria?
Muita saudade, razões pessoais/privadas e condições apropriadas.
Se vocês forem campeões em Pequim, você jogará mais uma Olimpíada?
Não posso responder agora... mas acho que não.
Vocês, jogadores veteranos, estão querendo o ouro olímpico igual quando ainda não tinham nenhum? O que o faz acreditar que você estará na melhor forma da sua vida em Pequim?
É importante recuperar a mesma vontade pelo ouro olímpico que tínhamos antes. E conseguir algo similar ao que tínhamos antes é perfeitamente razoável. Afinal, será um feito enorme conquistar 3 medalhas de ouro seguidas. Nosso treinamento pode ser de grande ajuda para isso, assim como a motivação extra dos mais novos de ganhar uma Olimpíada. É uma motivação diferente, mas ainda muito forte. É por isso que estou me preparando para estar na melhor forma de minha vida.
Seleção Brasileira, medalha de prata no PAN Rio 2007. Foto: Satiro Sodré/CBDA
...o Pré-Olímpico é perda de tempo. Para nos classificarmos, teríamos que ganhar de 4
a 5 jogos mais difíceis que a final do PAN...
Touca 14 -> Quais seus planos para o futuro?
Quito -> Não sei ao certo se continuarei na seleção, se as coisas continuarem assim do jeito que estão acho que saio. O Brasil para poder melhorar a curto prazo, precisa treinar e não somente jogar em alto nível, não adianta nada ficarmos treinando entre nós e viajarmos para disputar campeonatos, precisamos de maior intercâmbio de treinamento com as melhores escolas européias. O pré-olímpico é perda de tempo, para nos classificarmos, teríamos que ganhar de 4 a 5 jogos mais difíceis que a final do Pan, então pq não usamos a verba destinada a esse campeonato para treinamento. Acho que as pessoas responsáveis pelo esporte na CBDA deveriam tentar se basear no modelo usado pelo Canadá, que deu um grande salto de qualidade fazendo algumas modificações na estrutura e no planejamento da seleção.
O brasileiro Ricardo Azevedo, o Rochinha, gentilmente atendeu nosso pedido de entrevista, mesmo num momento conturbado como esse, quando, numa história ainda não explicada, acabou deixando o comando da seleção masculina principal dos EUA, a poucos dias dos Jogos Pan-Americanos. Rochinha fala do seu trabalho frente à seleção americana, elogia os atletas brasileiros, mas reserva-se o direito de ainda não tocar no assunto da sua saída da seleção americana. Ele não confirma, mas também não nega, a versão que tem circulado na internet de que os dirigentes do pólo americano exigiram uma seleção formada apenas com jogadores com menos de 26 anos. Com certeza, mais à frente, os verdadeiros motivos dessa repentina mudança aparecerão. De nossa parte, respeitamos a decisão de Rochinha e aproveitamos para aprender um pouco mais com suas opiniões.
TOUCA 14 WP BLOG – Prof. Ricardo Azevedo, primeiramente, como não poderia deixar de ser, gostaríamos de saber qual foi o verdadeiro motivo da sua saída da seleção americana de pólo aquático? É verdade que os dirigentes americanos exigiram uma reformulação e que a seleção fosse convocada somente com atletas com idade inferior a 26 anos e o sr. não concordou?
Ricardo Azevedo – No momento, eu não tenho a liberdade de lhe dar os detalhes do verdadeiro motivo, mas posso lhe dizer que eu sempre protegerei aos atletas, mesmo que me custe um emprego.
TOUCA 14 WP BLOG – Qual a avaliação que o sr. faz do seu trabalho neste período em que esteve como técnico principal da seleção americana?
Ricardo Azevedo – Durante o meu tempo como treinador e contribuidor, eu desenvolvi a maioria dos programas em ação no momento nos EUA. Escrevi manuais de treinamento, vídeos e gráficos para serem usados pelos treinadores para o desenvolvimento dos atletas. Depois do desastre de 2005, eu trabalhei com o Comitê Olímpico desenvolvendo um programa que funcionaria em trê anos para colocar os EUA de volta no pódio.
TOUCA 14 WP BLOG – Como o sr. analisa a participação dos EUA no último Campeonato Mundial?
Ricardo Azevedo – Jogamos bem, ganhamos da Itália, Austrália, Rússia, Canadá convincentemente, perdemos para a Croácia (que ganhou o Mundial) por dois gols. Estamos perto, mas Roma não foi construída em um dia.
TOUCA 14 WP BLOG – O que o sr. achou do nível técnico do último Mundial? E o resultado final lhe surpreendeu?
Ricardo Azevedo – O nível não foi tão alto como no passado, mas isso foi mais pela data do torneio, a maioria dos países não teve tempo suficiente para a preparação, sete dos nossos melhores jogadores não se juntaram ao time até primeiro de março (duas semanas antes do Mundial).
TOUCA 14 WP BLOG – Qual a sua visão do atual estágio do pólo aquático em nível mundial?
Ricardo Azevedo – O Brasil está num momento igual aos EUA em 1976, quando não se classificou para a Olimpíada. Assim como os EUA, o Brasil tem tudo que precisa para ser uma potência mundial. Os EUA só ganharam medalha em um esporte coletivo (masculino) nas Olimpíadas – basquete. O Brasil é melhor que os EUA em voleibol, futebol, handebol, por que não no pólo aquático?
Mas para o Brasil passar a ser uma potência temos que entrar na estrutura internacional, e é aí que eu acho que está a parte que o Brasil não tem no momento.
TOUCA 14 WP BLOG – Quais são, no seu entendimento, as chances dos outros continentes diminuírem a diferença para os europeus em curto, médio e longo prazo?
Ricardo Azevedo – A Europa encara todos os esportes como profissionais, se os outros continentes fizerem a mesma coisa, esta diferença desaparecerá, a longo prazo o meu programa teria eliminado essa diferença.
TOUCA 14 WP BLOG – Como o sr. acha que o Brasil poderia melhorar sua estrutura a fim de ter participação efetiva nos torneios de pólo aquático em nível internacional?
Ricardo Azevedo – O Brasil sempre teve grandes atletas , mas o que é necessário é um programa a longo prazo, em que os atletas e treinadores possam colaborar e, como a Espanha nos anos 1980, passar a ser uma potência Mundial. Não é falta de atletas, pense num time com Felipe Perrone, Kiko Perrone,Tony Azevedo, Pietro Figlioli, Marcos Santos (atletas com passaporte brasileiro que jogam por outros países), mais os grandes atletas que jogam no Brasil. Esse é um time que joga de igual para igual com qualquer time no mundo.
TOUCA 14 WP BLOG – Com a sua experiência, como o sr. acha que poderia ajudar o pólo aquático nacional?
Ricardo Azevedo – Antes de aceitar o emprego nos EUA, eu entrei em contato com o Brasil. Eu acho que os meus contatos e programa, classificam o Brasil para a próxima Olimpíada.
TOUCA 14 WP BLOG – Qual a sua avaliação sobre a mudança de idade imposta pela FINA?
Ricardo Azevedo – Esta mudança pode ajudar os países no continente americano, se for usada inteligentemente. Não podemos esquecer que quando era essa a idade, o Brasil participou com ótimos resultados no cenário mundial.
TOUCA 14 WP BLOG – Quais são os seus planos daqui pra frente?
Ricardo Azevedo – Eu tenho recebido várias ofertas de clubes e países no exterior sobre a possibilidade de eu passar a ser o treinador e, logicamente, muitas universidades também têm ligado. No momento eu estou apenas escrevendo muito e pensando no futuro, sempre foi meu sonho ganhar uma medalha na Olimpíada ou no Mundial, é a única coisa que eu não tenho no meu portfólio. Eu não tenho nenhum desejo de trabalhar com o USWP, já que atletas e programa internacional não são prioridades no momento.
Começarei a avaliar as ofertas em julho, e darei minha decisão em setembro. A única coisa que dói ao coração é não poder ir ao Brasil e, em frente da família e amigos, mostrar ao mundo o que um brasileiro pode conquistar no pólo mundial .

Da esquerda para a direita: Cirilo, do Botafogo, Touca de Prata, Guilherme, do Flamengo, Touca de Ouro e Bernardinho, do Tijuca, Touca de Bronze.
Foto: Eliane, mãe do Bernardinho.
Mais uma vez, de forma gentil e prestativa, o prof. Ricardo Cabral responde sem demora nossas colocações, de novo com argumentos consistentes de quem tem o conhecimento da causa.
Caro Clodoaldo,
Em primeiro lugar, quero parabenizá-lo por sua opiniões as quais você sustenta com muita propriedade. Quando me refiro à uma politica assistencialista, me refiro à uma postura acomodada de ficar esperando que os outros resolvam nossos problemas.
É claro que a FINA deveria ter um programa para o desenvolvimento do pólo aquático mundial, levando nosso esporte além das fronteiras do Velho Mundo.
Participei de uma discussão nesse sentido no Mundial de Montreal e, a principal questão, era descobrir a melhor forma de se fazer isso.
Alguma inciativas sempre existiram. Entretanto, ineficazes para atingir os objetivos pretendidos. Entre elas estão a realização de Clínicas Técnicas e a criação da Liga Mundial.
Na verdade, o que nós do Terceiro Mundo precisamos é jogar com os melhores. Somente estando entre os melhores é que subiremos nosso nível. Acredito, sim, que esse é o grande desafio. Como fazer os países afastados do grande centro, estarem permanentemente em contato com os melhores.
Só o dinheiro resolve? Não sei. Um exemplo é o Japão que possui uma das melhores economias do mundo, possui uma excelente política esportiva e há anos tenta e não consegue nada. O Canadá, só agora, após algumas mudanças internas conseguiu ocupar um lugar ao sol no segundo escalão do pólo mundial.
Analogamente, temos aqui no Brasil, o mesmo problema. Enquanto não "diminuirmos" a distância geográfica que separa o eixo Rio-São Paulo das demais regiões do País, o pólo aquático não terá o desenvolvimento que pretendemos.
Continuo achando, assim como você, que o pólo aquático é um produto que deve se melhorado no sentido de atrair mais consumidores. Como você bem disse, é a Lei do Mercado. Por isso fiz uma crítica ao jogo transmitido pela televisão que continua aquém das expectativas.
Costumo dizer que não existe um culpado para o nosso pólo encontrar-se na situação que está. Temos, sim, vários responsáveis por isso que passam pelos dirigentes, atletas, árbitros, técnicos e assistentes diretos.
Quanto a criação da WPD, a FINA essa semana, emitiu uma nota oficial à todas as suas Filiadas, alertando sobre a criação da WPD e ao mesmo tempo não reconhecendo tal entidade e orientando o não envolvimento das Federações Internacionais filiadas.
Como você pode ver, existe uma distância muito grande que separa o discurso da prática.
Um abraço
Ricardo Cabral
Continuando o bate-papo sobre pólo aquático, gostaria de ressaltar, mais uma vez, a importância desse espaço de diálogo, em especial pelo fato do prof. Ricardo Cabral estar sendo tão atencioso e interessado. De novo vou fazer o contraponto, tentando, assim, tornar a discussão cada vez mais clara. Dessa vez vou dividir minha participação em duas partes para a postagem não ficar muito grande. Nessa primeira vou levantar questões relativas apenas a difusão e ao desenvolvimento do pólo no mundo, deixando a parte sobre a dinâmica do jogo para uma outra oportunidade.
Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que a insistência no tema sobre o papel da FINA no desenvolvimento do pólo em nível global não passa pelo viés puramente assistencialista. Não se trata de propostas indecorosas como a dos dirigentes chilenos e uruguaios de que alguém teria que sustentar os mais fracos. O que eu insisto é que a FINA deveria atuar mais ativamente na difusão do pólo no mundo, tanto no nível técnico, aumentando o intercâmbio, quanto na criação de fundos e recursos exclusivos para programas que incentivem a prática do pólo fora dos centros já consolidados. Usando a FIFA mais uma vez como exemplo, é importante assinalar que além das ações de intercâmbio, já citadas em outra oportunidade, a FIFA possui programas destinados à distribuição de recursos que vão desde o FAP (Programa de Assistência Financeira), que distribui igualitariamente recursos entre todos os afiliados e confederações, independente do tamanho ou qualificação técnica, até programas específicos para áreas em que o futebol está em desenvolvimento, como o GOAL. Foi através de programas como esses que a FIFA pôde, gradualmente, aumentar o número de participantes na Copa do Mundo, diminuindo a distância entre os centros e as periferias. Eu, particularmente, desconheço ações desse tipo implementadas pela FINA.
Quanto as Olimpíadas, cujo lema é o congraçamento dos povos, acredito que ela é o palco dos melhores atletas de cada continente, ideal expresso inclusive no seu símbolo, os cinco anéis entrelaçados, representando os cinco continentes. Daí minha crítica à distribuição de vagas olímpicas.
Porém, concordo integralmente com o prof. Cabral quando ele assinala: “Quem quer ser grande, que corra atrás, se planeje e realize seus sonhos”. Essa tem sido uma de nossas principais críticas ao pólo brasileiro, justamente a falta de um planejamento e de “correr atrás”. Contudo, volto a fazer uma ressalva por respeito ao papel da FINA. É necessário divulgar o pólo, para que os países despertem o desejo de serem grandes no pólo. Sem esse trabalho de divulgação a maioria vai preferir ser grande no futebol, no basquete, no vôlei etc. Não basta ter um bom produto, é preciso uma boa apresentação e, fundamentalmente, uma boa distribuição. Se o seu produto não estiver disponível, o consumidor compra o do concorrente.
Dias atrás traduzi e postei aqui no blog a matéria publicada no site www.waterpoloworld.com sobre a fundação da Water Polo Development (WPD). Muitas das questões levantadas aqui nesses nossos bate-papos foram contempladas na citada matéria. As incertezas que levantamos por respeito ao futuro do pólo extrapolam a nossa condição de “periferia” e parecem preocupar, também, parte da elite aquapolista. A WPD é uma associação independente, fundada por expoentes da história do pólo que, pelo jeito, cansaram de esperar por uma atitude da FINA. Nesse sentido, aproveito nosso espaço para fazer algumas perguntas diretas ao prof. Cabral: com base no fato do sr. ser um dos dirigentes do pólo brasileiro e possuir larga experiência no tema, o que o sr. achou da fundação da WPD? Este é um caminho viável para o desenvolvimento do pólo? É possível que algum movimento produtivo se desenvolva a partir daí? Por que a FINA não abraçou essa proposta antes que uma associação independente resolvesse assumi-la?
Espero que fique claro que não estou cobrando respostas definitivas, mas sim sua opinião a partir da sua vivência no meio.
Encerro aqui, esperando continuar nosso papo em breve.