Sábado de carnaval, estavamos eu e a família curtindo um solzinho na praia da Barra da Tijuca quando encontrei o Prof. Ricardo Cabral e lá fui eu perturbá-lo com papo de Pólo Aquático. Mas como todo apaixonado pelo que faz ele me atendeu com muita satisfação e cordialidade. Conversamos longamente e, deste papo, pude depreender que a realidade do Pólo Aquático nacional é muito complicada. Posteriormente, lhe solicitei esta entrevista para que pudéssemos trazer à público uma transparência maior dos últimos acontecimentos. Na minha opinião, é desta forma que podemos e devemos começar a mudar os rumos desse maravilhoso esporte. A todos os amigos que nos acompanham uma boa leitura e, ao Prof Ricardo Cabral o agradecimento dos criadores deste blog pela gentileza em nos conceder esta matéria.
POLOTTC – Prof. Ricardo Cabral o Sr. poderia nos contar como começou o seu envolvimento com o Pólo Aquático?
Primeiro como atleta do Botafogo.F.R, na década de 70. Depois, como técnico no Clube de Regatas Guanabra, 02 passagens pelo Fluminense.F.C e 01 passagem pelo Botafogo F.R. Comecei na CBDA em 1996, convidado pelo Dr.Coaracy para organizar um Campeonato Sul-Americano no Rio, e continuando até a presente data, sempre exercendo paralelamente atividades docentes na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
POLOTTC – O Pólo Aquático brasileiro atravessa uma fase nebulosa. Qual foi, na sua opinião, a melhor fase do Pólo no Brasil e o que a CBDA pretende fazer para melhorar a popularidade, a difusão e o crescimento do Pólo no país?
Acredito que a palavra nebulosa possa ser substituída por um “período de transição”, principalmente quando se busca uma definição dos verdadeiros objetivos do pólo aquático brasileiro em todos os seus segmentos: administrativos, técnicos e de participação dos atletas. Do ponto de vista internacional pan-americano e sul-americano, sempre nos mantivemos entre os três melhores das Américas. Alcançar as equipes européias, continua, ainda, sendo um sonho distante não só para o Brasil, mas para o continente pan-americano. Exceção para o pólo feminino dos EUA e Canadá. A difusão do pólo aquático não depende exclusivamente da CBDA. Ela deve começar de baixo para cima. Nunca vi nenhum movimento de transformação social com sucesso que não tenha sido nessa direção. Como sempre digo, a CBDA não pode “obrigar” o Minas Tênis Clube ou o Álvares Cabral a ter pólo aquático, nem tão pouco o Flamengo, Fluminense ou Pinheiros a colocar atividades de pólo às 03:00h da tarde, hora de maior movimento de piscina nos clubes. Resumindo, cobra-se muito do andar superior mas ninguém consegue reverter a situação nos andares de baixo.
POLOTTC – O Sr. é favorável a vinda de estrangeiros para disputar apenas um torneio? O que a CBDA pode fazer para tornar nossos torneios mais atrativos e mais equilibrados?
A natação no Brasil deu um salto grande de qualidade, quando equipes de ponta começaram a trazer atletas renomados internacionalmente. Além do impacto na mídia, nossos nadadores puderam ver que as “feras internacionais” tinham também dois braços e duas pernas. Na falta de um maior intercâmbio internacional, decorrente de uma série de variáveis, acredito que essa é uma boa opção. Parabéns aos clubes que conseguem viabilizar isso. Isso é uma forma de tornar os torneios mais atrativos. Quanto a intervenção da CBDA para um equilíbrio, isso só seria possível se o esporte fosse profissional e gerenciado por uma Liga que determinasse e cobrasse as diretrizes da competição. Limitar o número de estrangeiros já é uma forma de buscar um equilíbrio.
POLOTTC – Muito têm sido falado, pelos que vivem o pólo, que a salvação deste esporte estaria na criação de uma Confederação independente. O que o Sr. teria a dizer sobre o assunto?
Sinceramente conhecendo a estrutura esportiva do país, acredito que isso é uma utopia. Captar recursos para o pólo aquático é uma tarefa árdua. Muitos pensam em conseguir, poucos realmente tentam e quase ninguém consegue. Quando se consegue, trata-se muito mais de um apoio do que um patrocínio. Costumo chamar isso da “Teoria do Tostine”. As pessoas acima de 35 anos seguramente vão lembrar. “ O pólo aquático não dá resultado porque não tem patrocínio, ou não tem patrocínio porque não apresenta resultados?”. Graças a Deus, nós, amantes do pólo aquático, temos os Correios na CBDA há quase vinte anos.
POLOTTC – A FINA pretende colocar em votação no próximo mundial a alteração da idade para categoria Júnior, passando a vigorar o ano de 91 a partir de 2008. Qual a posição da CBDA em relação a esta mudança? O Sr. acha que será benéfico para o Brasil?
Já participei de algumas votações em Campeonatos Mundiais e, posso assegurar que a decisão já está tomada. Não sei ainda qual será, mas com certeza a opinião dos segundo e terceiro escalões do pólo mundial vai interferir muito pouco, ou quase nada. O que sei é que a FINA ao propor isso, pretende diminuir a diferença técnica existente na categoria, já que atletas de 20 anos em paises fortes já são, na maioria das vezes, profissionais. Estive agora numa reunião da CONSANAT na Venezuela, e contraditóriamente , os países sul-americanos gostariam de manter como está, porque essa é a única forma (com exceção do Brasil), de se enfrentar equipes mais fortes. Não vou responder pela CBDA, até mesmo porque não fomos consultados oficialmente, talvez o façam em Melbourne, mas em minha opinião uma mudança seria mais favorável a nós, tendo em vista que sempre formamos na base atletas com grande potencial para modalidade. Até os 18 anos, é só treinar muito e estudar. Não vamos precisar ouvir desculpas.
POLOTTC – Na última semana circulou a notícia de que dois atletas do Fluminense, convocados para seleção adulta que disputará o PAN, foram cortados por terem faltado a um treino. O Sr poderia esclarecer para o público o que realmente ocorreu?
As notícias nem sempre são veiculadas de forma precisa. As distorções da realidade acontecem. As vezes, de forma intencional e com objetivo de desestabilizar. Recebi do Coordenador de Seleções a lista de freqüência dos jogadores de dezembro até agora e posso assegurar que não foi somente 01 treino. Esse treino foi a chamada “gota d’água”. É preciso entender que não vamos chegar nunca a lugar nenhum sem um grande comprometimento. Dizer que treina muito é uma coisa. Mostrar que treina muito é outra. Ah já sei . Vão dizer: Eles não são profissionais! Não tem a obrigação de uma dedicação quase exclusiva. Não concordo com isso e já pude observar nos jogadores mais novos uma mudança na mentalidade. Estamos começando a criar uma “cultura de treinamento do pólo aquático”.
POLOTTC – Em se confirmando a mudança da idade na categoria Júnior, o Sr não acha que os atletas 91 e 92 são muito inexperientes para disputas internacionais? O que a CBDA pretende fazer para colocar estes atletas preparados para as próximas disputas?
Mais uma vez digo que não é somente a CBDA a responsável direta por isso. No mês de janeiro, o Ângelo levou para Espanha um grupo de jogadores que estão querendo investir na melhora pessoal. Em qualquer país do mundo, o intercâmbio internacional nessa faixa etária não é custeado por uma Federação Internacional. Tenho um projeto que, infelizmente, ainda não consegui implantar. Levar a cada ano 15 atletas (até 17 anos) e 05 técnicos para um estágio internacional. Infelizmente não tenho a caneta para assinar os cheques e entendo também que os recursos não são tão fartos como parecem. Talvez um meio a meio possa se tornar viável. Já conversei com o Ângelo e vamos tentar para o próximo ano alguma coisa.
POLOTTC – O que a CBDA pretende fazer para que os atletas 89 e 90 não fiquem desestimulados e parem de jogar Pólo?
Primeiro como atleta do Botafogo.F.R, na década de 70. Depois, como técnico no Clube de Regatas Guanabra, 02 passagens pelo Fluminense.F.C e 01 passagem pelo Botafogo F.R. Comecei na CBDA em 1996, convidado pelo Dr.Coaracy para organizar um Campeonato Sul-Americano no Rio, e continuando até a presente data, sempre exercendo paralelamente atividades docentes na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
POLOTTC – O Pólo Aquático brasileiro atravessa uma fase nebulosa. Qual foi, na sua opinião, a melhor fase do Pólo no Brasil e o que a CBDA pretende fazer para melhorar a popularidade, a difusão e o crescimento do Pólo no país?
Acredito que a palavra nebulosa possa ser substituída por um “período de transição”, principalmente quando se busca uma definição dos verdadeiros objetivos do pólo aquático brasileiro em todos os seus segmentos: administrativos, técnicos e de participação dos atletas. Do ponto de vista internacional pan-americano e sul-americano, sempre nos mantivemos entre os três melhores das Américas. Alcançar as equipes européias, continua, ainda, sendo um sonho distante não só para o Brasil, mas para o continente pan-americano. Exceção para o pólo feminino dos EUA e Canadá. A difusão do pólo aquático não depende exclusivamente da CBDA. Ela deve começar de baixo para cima. Nunca vi nenhum movimento de transformação social com sucesso que não tenha sido nessa direção. Como sempre digo, a CBDA não pode “obrigar” o Minas Tênis Clube ou o Álvares Cabral a ter pólo aquático, nem tão pouco o Flamengo, Fluminense ou Pinheiros a colocar atividades de pólo às 03:00h da tarde, hora de maior movimento de piscina nos clubes. Resumindo, cobra-se muito do andar superior mas ninguém consegue reverter a situação nos andares de baixo.
POLOTTC – O Sr. é favorável a vinda de estrangeiros para disputar apenas um torneio? O que a CBDA pode fazer para tornar nossos torneios mais atrativos e mais equilibrados?
A natação no Brasil deu um salto grande de qualidade, quando equipes de ponta começaram a trazer atletas renomados internacionalmente. Além do impacto na mídia, nossos nadadores puderam ver que as “feras internacionais” tinham também dois braços e duas pernas. Na falta de um maior intercâmbio internacional, decorrente de uma série de variáveis, acredito que essa é uma boa opção. Parabéns aos clubes que conseguem viabilizar isso. Isso é uma forma de tornar os torneios mais atrativos. Quanto a intervenção da CBDA para um equilíbrio, isso só seria possível se o esporte fosse profissional e gerenciado por uma Liga que determinasse e cobrasse as diretrizes da competição. Limitar o número de estrangeiros já é uma forma de buscar um equilíbrio.
POLOTTC – Muito têm sido falado, pelos que vivem o pólo, que a salvação deste esporte estaria na criação de uma Confederação independente. O que o Sr. teria a dizer sobre o assunto?
Sinceramente conhecendo a estrutura esportiva do país, acredito que isso é uma utopia. Captar recursos para o pólo aquático é uma tarefa árdua. Muitos pensam em conseguir, poucos realmente tentam e quase ninguém consegue. Quando se consegue, trata-se muito mais de um apoio do que um patrocínio. Costumo chamar isso da “Teoria do Tostine”. As pessoas acima de 35 anos seguramente vão lembrar. “ O pólo aquático não dá resultado porque não tem patrocínio, ou não tem patrocínio porque não apresenta resultados?”. Graças a Deus, nós, amantes do pólo aquático, temos os Correios na CBDA há quase vinte anos.
POLOTTC – A FINA pretende colocar em votação no próximo mundial a alteração da idade para categoria Júnior, passando a vigorar o ano de 91 a partir de 2008. Qual a posição da CBDA em relação a esta mudança? O Sr. acha que será benéfico para o Brasil?
Já participei de algumas votações em Campeonatos Mundiais e, posso assegurar que a decisão já está tomada. Não sei ainda qual será, mas com certeza a opinião dos segundo e terceiro escalões do pólo mundial vai interferir muito pouco, ou quase nada. O que sei é que a FINA ao propor isso, pretende diminuir a diferença técnica existente na categoria, já que atletas de 20 anos em paises fortes já são, na maioria das vezes, profissionais. Estive agora numa reunião da CONSANAT na Venezuela, e contraditóriamente , os países sul-americanos gostariam de manter como está, porque essa é a única forma (com exceção do Brasil), de se enfrentar equipes mais fortes. Não vou responder pela CBDA, até mesmo porque não fomos consultados oficialmente, talvez o façam em Melbourne, mas em minha opinião uma mudança seria mais favorável a nós, tendo em vista que sempre formamos na base atletas com grande potencial para modalidade. Até os 18 anos, é só treinar muito e estudar. Não vamos precisar ouvir desculpas.
POLOTTC – Na última semana circulou a notícia de que dois atletas do Fluminense, convocados para seleção adulta que disputará o PAN, foram cortados por terem faltado a um treino. O Sr poderia esclarecer para o público o que realmente ocorreu?
As notícias nem sempre são veiculadas de forma precisa. As distorções da realidade acontecem. As vezes, de forma intencional e com objetivo de desestabilizar. Recebi do Coordenador de Seleções a lista de freqüência dos jogadores de dezembro até agora e posso assegurar que não foi somente 01 treino. Esse treino foi a chamada “gota d’água”. É preciso entender que não vamos chegar nunca a lugar nenhum sem um grande comprometimento. Dizer que treina muito é uma coisa. Mostrar que treina muito é outra. Ah já sei . Vão dizer: Eles não são profissionais! Não tem a obrigação de uma dedicação quase exclusiva. Não concordo com isso e já pude observar nos jogadores mais novos uma mudança na mentalidade. Estamos começando a criar uma “cultura de treinamento do pólo aquático”.
POLOTTC – Em se confirmando a mudança da idade na categoria Júnior, o Sr não acha que os atletas 91 e 92 são muito inexperientes para disputas internacionais? O que a CBDA pretende fazer para colocar estes atletas preparados para as próximas disputas?
Mais uma vez digo que não é somente a CBDA a responsável direta por isso. No mês de janeiro, o Ângelo levou para Espanha um grupo de jogadores que estão querendo investir na melhora pessoal. Em qualquer país do mundo, o intercâmbio internacional nessa faixa etária não é custeado por uma Federação Internacional. Tenho um projeto que, infelizmente, ainda não consegui implantar. Levar a cada ano 15 atletas (até 17 anos) e 05 técnicos para um estágio internacional. Infelizmente não tenho a caneta para assinar os cheques e entendo também que os recursos não são tão fartos como parecem. Talvez um meio a meio possa se tornar viável. Já conversei com o Ângelo e vamos tentar para o próximo ano alguma coisa.
POLOTTC – O que a CBDA pretende fazer para que os atletas 89 e 90 não fiquem desestimulados e parem de jogar Pólo?
A nível nacional fazer um campeonato sub-20. Como estamos iniciando uma fase de mudanças que se concretizará, principalmente, após os Jogos Pan-Americanos, fatalmente esses atletas estarão disputando vaga nas próximas Seleções Adultas.
POLOTTC – Na sua opinião, quais são as reais chances das nossas seleções no PAN2007?
Podium. Não sei qual. Mas com certeza estaremos nele.
POLOTTC – Para terminar, o diário esportivo LANCE divulgou a algumas semanas que a CBDA recebeu recursos da Lei Agnelo/Piva para manutenção da comissão técnica e de seleção permanente de todos os esportes aquáticos. O que o Sr pode relatar a respeito deste assunto?
Isso já acontece há pelo menos 03 anos. São 15 atletas no feminino e 15 atletas no masculino. 06 técnicos, 02 preparadores físicos, 02 médicos e 02 coordenadores. . Esse ano, os atletas do masculino receberão de março a dezembro, já que os meses de janeiro e fevereiro foram utilizados para definir o grupo de jogadores que irão até o Pan. No feminino, elas já estão recebendo desde janeiro, e receberão até dezembro como habitualmente, já que o grupo está definido.
Um comentário:
Muito oportuna a entrevista com Ricardo Cabral porque assim acabam todas os achismos que escutamos em relação ao pólo dentro da CBDA.QUERER é uma coisa;PODER é outra bem diferente e ninguém mais do que ele deseja que nosso esporte evolua à pelo menos um padrão dos EUA e do Canadá, o que ocorria há alguns poucos anos atrás.Que muita coisa precisa mudar ele é o primeiro a saber, apenas não cabe à ele tomar decisões que envolvem política e que ficam inteiramente à cargo do presidente.
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