quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Tamas Kasas é fã de Paulo Coelho

Kasas em foto do site vlv.hu

O site oficial da seleção húngara de pólo aquático lançou uma nova seção em que os jogadores da seleção respondem as perguntas dos fãs. O primeiro jogador a participar foi o craque Tamas Kasas, que joga atualmente no Pro Recco, da Itália. Kasas, em uma das respostas, diz que gosta muito de ler e que um dos seus autores preferidos é o brasileiro Paulo Coelho, de quem já leu todos os livros. Kasas comenta também sobre sua aposentadoria da seleção após as Olimpíadas, sobre os sérvios, sobre sua preferência pelo sul da Itália etc. Abaixo postamos uma rápida tradução da entrevista a partir da versão em inglês disponibilizada por Agota Cseri, colaborador do site prowaterpolo.



Existe algum movimento oficial (FINA, LEN) no sentido de utilizar equipamentos eletrônicos (câmeras subaquáticas, um vídeo-juiz) para garantir o jogo limpo e punir as jogadas e jogadores violentos?

Infelizmente, não sei nada sobre esse assunto, mas é uma questão legitima.


Para ex-jogadores, ou pessoas que conhecem o jogo, a sensação que dá é que muitos jogadores da seleção estão desmotivados e perderam o entusiasmo. A maior agressividade e concentração dos adversários chega a incomodar. O que você acha que seria necessário para você chegar “voando” nos grandes jogos?

Eu não concordo. Não acho que tenha passado essa impressão nos jogos finais mas, claro, eu espero mais de mim. Isso tem a ver com o meu jeito: se o jogo está caminhando ok, eu mantenho minha fisionomia impassível. Espero estar bem fisicamente e sem contusões. A motivação nunca foi um problema e não temo que venha a ser, especialmente antes das Olimpíadas . A agressividade e a atenção dos adversários sobre mim não mudou nesses últimos dez anos. Quando nós vencemos, eles marcaram forte, tanto quanto agora. Se eu estou bem fisicamente, isso não me incomoda.


Quais são seus planos para o futuro? Existe a possibilidade de você continuar na seleção? Você planeja jogar na Liga Húngara ou continuar na Itália?

Se eu tivesse que decidir agora, eu diria que, após as Olimpíadas, eu deixarei a seleção. Mas... você nunca sabe. De qualquer forma, eu quero jogar na Hungria, talvez no ano que vem. Estou jogando na Itália há dez anos e ultimamente tenho sentido, cada vez mais forte, que já é o bastante.


Quem você destacaria na seleção que, mesmo não sendo artilheiro e não chamando muita atenção do público, tem um papel decisivo no sucesso (assistências, defesa, personalidade)?

Numa equipe todos os jogadores são importantes, e você não consegue resolver nada sem o outro. Eu não destacaria ninguém. Não acho que minha função seja a de marcar muitos gols. Dar uma assistência ou roubar uma bola me dá o mesmo prazer. É evidente que há jogadores que não são tão notados pelo público, mas eles são fundamentais para o sucesso da equipe.



O que você aconselha a um garoto de 14 anos de idade que joga pólo aquático mas que quer praticar mais seriamente? Devo continuar, por enquanto, no interior, numa equipe fraca, ou devo me mudar para Budapeste, aonde eu posso jogar melhor e sobressair? Como você se aquece e se prepara para um jogo difícil?

Você precisa de muita paixão e persistência para jogar pólo aquático. Se você tem talento, não deve se contentar com o que você sabe. Tem que aprender e melhorar. Eu não acho que a questão seja “interior vs. capital”: se você joga bem e receber uma boa oportunidade de uma equipe em Budapeste, arrisque. O importante é nunca estar contente com o seu conhecimento atual. Eu faço o mesmo aquecimento para todos os jogos. Mas cada um é que sabe o quanto precisa se aquecer antes de cada partida. Antes de jogos importantes eu fico nervoso como todo mundo, mesmo que as pessoas não consigam perceber. Na verdade, eu não penso em nada antes dos jogos. Na piscina você tem que tomar a decisão certa numa fração de segundos... é difícil estar preparado para isso. O importante é estar tranquilo e cheio de confiança.


Você acha que a equipe da Olimpíada de Atenas era mais forte do que a atual?

Os resultados mostram que a equipe campeã olímpica era mais forte. Depende de nós sermos mais fortes em Pequim.


Com base nos últimos torneios, parece que o nosso time é fisicamente mais “fino” do que os rivais (Sérvia, Croácia). Como fazer para compensar isso? Ou eles são mesmo melhores em tudo?

Os sérvios são muito fortes. A pernada deles é excelente. Além do que, eles são bons jogadores de pólo aquático com grandes novas gerações, que eles vêm trabalhando há muitos anos. Nós temos que agüentar o tranco e entrar com tudo nas competições. E temos boas chances de fazer isso. Mas seria ingênuo se preocupar apenas com a Sérvia.


Você disse que lê muito. Que tipo de livros você lê?

Já li todos os livros de Ken Follet e Paulo Coelho. Também li alguns pensamentos interessantes de Osho. Tenho vários livros sobre Buda. Gosto de livros filosóficos sobre a vida e as emoções das pessoas. Tem também um escritor italiano, Fabio Volo, de quem já li três livros.


Se você tivesse direito a dois pedidos, quais seriam?

Saúde para as pessoas que amo e para mim. E mais sucesso no esporte.


De onde veio o número 5 da sua touca?

Eu comecei a usar esse número quando era treinado por Gyorgy Horkai... e me ajustei bem a ele. Eu realmente gosto desse número.


Você consegue se imaginar morando na Hungria quando parar de jogar? O que o atrai em jogar no exterior? Quais novas perspectivas de vida você aprendeu com os italianos?

Sim, eu imagino minha vida depois do pólo aquático na Hungria, mas ainda não sei exatamente o que vou fazer. Eu vivenciei a diferença ente o Norte e o Sul. Eu vivi seis anos em Nápoles, aonde as pessoas são mente aberta, relaxadas e alegres. Eles não esquentam com nada. O Norte é justamente o oposto disso.


Quais as vantagens profissionais que você tem jogando na Liga Italiana? Quais as diferenças entre jogar na Itália e jogar na Hungria? Alguma diferença de atitude e cultura entre os jogadores?

Sinceramente? A minha carteira está mais gorda. E jogo numa Liga mais forte. Eu sinto falta de muitas coisas da Hungria. O pólo aquático é muito mais popular na Hungria e o agito em volta é muito maior. Aqui na Itália é tranqüilo. Não há fotógrafos atrás dos jogadores. Nós treinamos, no estilo italiano, e é nisso que devemos nos concentrar. Mas é claro que em ano Olímpico os atletas têm que se preparar o ano todo.


O que você precisa para voltar a jogar na Hungria?

Muita saudade, razões pessoais/privadas e condições apropriadas.


Se vocês forem campeões em Pequim, você jogará mais uma Olimpíada?

Não posso responder agora... mas acho que não.


Vocês, jogadores veteranos, estão querendo o ouro olímpico igual quando ainda não tinham nenhum? O que o faz acreditar que você estará na melhor forma da sua vida em Pequim?

É importante recuperar a mesma vontade pelo ouro olímpico que tínhamos antes. E conseguir algo similar ao que tínhamos antes é perfeitamente razoável. Afinal, será um feito enorme conquistar 3 medalhas de ouro seguidas. Nosso treinamento pode ser de grande ajuda para isso, assim como a motivação extra dos mais novos de ganhar uma Olimpíada. É uma motivação diferente, mas ainda muito forte. É por isso que estou me preparando para estar na melhor forma de minha vida.

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