Hungria e Itália fizeram uma final que não estava nos planos. É óbvio que uma final entre Hungria e Itália é perfeitamente normal, afinal são duas das maiores potências do pólo aquático mundial, mas a Itália, como já comentamos anteriormente, não tinha conseguido com essa geração '87 nenhum resultado significativo, foi 5ª colocada no Europeu Juvenil em 2005 e apenas 9ª colocada no Europeu Júnior do ano passado, portanto, essa equipe ter chegado a final do Mundial não deixou de ser uma surpresa. Já a Hungria, apesar de ser sempre uma das favoritas ao título, só havia conquistado uma única vez o Mundial Júnior nas treze edições anteriores e desde o Europeu Juvenil de 2001 que não conquistava um título nas categorias de base. Porém, sem dar bola para os prognósticos, húngaros e italianos fizeram um grande Mundial, a Hungria foi campeã com 100% de aproveitamento e a Itália sofreu duas derrotas, as duas para a Hungria.
A seleção húngara não era apontada como a principal candidata a medalha de ouro em Long Beach, pois o emparelhamento dos grupos apontava para uma semi-final com os sérvios, esses sim os grandes favoritos para conquistar o título. A Sérvia, que com essa seleção '87 foi campeã do Europeu Juvenil (2005) e do Europeu Júnior (2006), não perdia um título das categorias Júnior ou Juvenil desde 2001. Dessa vez acabou até sem medalha, repetindo a seleção principal no Mundial de Melbourne. É bom destacar que nessas duas últimas conquistas(Europeu Juvenil e Europeu Júnior) a seleção sérvia, além de ainda competir junto com Montenegro, contou com o talento de Filip Filipovic, o que não aconteceu nesse Mundial.
A Espanha, assim como a Sérvia, também decepcionou. Ficou em 7º com uma seleção formada por jogadores experientes, que disputam a Divisão de Honra espanhola, alguns deles, como Roca, Minguez e Mallarach, com passagens pela seleção principal.
A Croácia, ao contrário, cumpriu as expectativas. Essa geração croata havia sido 2ª colocada no Europeu Juvenil (2005) e 4ª no Europeu Júnior (2006), e o bronze em Long Beach ficou dentro do previsto.
O grande destaque desse Mundial, contudo, acabou ficando sem medalha. A Austrália, 5ª colocada, terminou a competição sem perder nenhum jogo com a bola rolando. Sua única derrota foi nas quartas-de-final para a Hungria, e foi na decisão por pênaltis. Os australianos, além de empatarem com a Sérvia na primeira fase, atropelaram a boa seleção americana no último jogo, provando que são a melhor equipe não-européia.
Por sua vez, o Brasil, pelo sexto Mundial Júnior seguido, ficou abaixo dos dez primeiros colocados. Infelizmente, nenhuma surpresa. Essa 14ª colocação ficou inteiramente dentro do esperado. Nesses seis últimos Mundias Jr., o Brasil foi quatro vezes 14º, uma 17º e uma 19º colocado. Quem acompanha o pólo aquático brasileiro sabe que nessa geração '87, assim como nas anteriores, não faltam bons jogadores nem empenho. Mas é simplesmente IMPOSSÍVEL disputar um campeonato do nível do Mundial Jr., sem nenhum tipo de intercâmbio com as seleções da Europa. Por mais que os garotos treinem duro aqui no Brasil, na hora agá, na hora de decidir os jogos, falta experiência, falta tranquilidade, falta volume de jogo para nossa seleção. Uma coisa é jogar coletivos contra meia-dúzia de adultos que se juntam para ajudar nos treinamentos, outra é jogar contra seleções que tem na bagagem dois Campeonatos Europeus (Juvenil e Júnior) e diversos torneios preparatórios. Na hora da verdade, o H+ não funciona, o chute não sai, a defesa não encaixa etc. Podemos passar seis meses treinando duas vezes por dia aqui no Brasil e, mesmo assim, não vai bastar. Falta “jogo” para os nossos atletas e isso só se adquire com intercâmbio. Não vamos entrar aqui nos problemas financeiros do pólo brasileiro, esse balanço do Mundial não é o local para analisarmos se faltam recursos, se a verba é bem aplicada ou não, ou qualquer outra discussão desse tipo. Mas se o Brasil pretende alguma coisa a mais do que só participar, urge arrumar, independente da natureza do problema, uma maneira de solucionar essa falta de intercâmbio, senão daqui a dois anos estaremos repetindo essas mesmas observações.
Dentro desse espírito, gostaríamos de lembrar que em junho circulou aqui no blog a informação de que depois dos Jogos Pan-Americanos seria organizado um Simpósio, aberto à participação de todos os interessados, para se discutir os problemas e os caminhos possíveis para o pólo aquático brasileiro. Alguém sabe informar em que pé anda essa idéia? Já passou da hora de tentarmos agregar pessoas e idéias no intuito de enfrentar as dificuldades do pólo aquático nacional. Já que as soluções não virão num passe de mágica, o melhor a fazer é assumir os problemas e ouvir novas propostas. Vamos pegar como exemplo o II Pan-Americano Juvenil de Pólo Aquático Masculino (sub-18) realizado recentemente na República Dominicana. Há alguns meses atrás postamos uma notícia sobre a seleção equatoriana, que, como acontece com a grande maioria, não tinha dinheiro para a viagem. Pois bem, a Federação Equatoriana expôs a falta de recursos e os pais dos atletas se reuniram e organizaram uma série de eventos para tentar arrecadar o dinheiro necessário para a viagem. Resultado, o Equador foi um dos oito participantes do torneio na República Dominicana. Por que aqui no Brasil ninguém falou desse Pan-Americano? Certamente não foi por falta de informação da UANA junto à CBDA. Por que a insistência em não abrir os problemas para que outras soluções possam aparecer? Talvez, se a mesma atitude dos equatorianos fosse tomada por aqui, teríamos conseguido mandar uma seleção a esse Pan-Americano. Na pior das hipóteses, caso não se conseguisse juntar os recursos necessários, teríamos tentado, com tudo sendo feito às claras, sem mistérios.




2 comentários:
Quando é que blog 14 vai botar a estatistica dos gols e espulsões contra e a favor dos Brasileiros no mundial de Junior masculino?
Prezado anônimo, seu comentário é uma sugestão ou uma cobrança?
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