sexta-feira, 17 de junho de 2011

Olimpíada: estagnação e evolução, às pressas

A direção do Comitê Olímpico Brasileiro não espera evoluir no quadro de medalhas nos Jogos de Londres, ano que vem, apesar de os recursos aplicados no esporte terem crescido significativamente no último ciclo olímpico: R$ 355 milhões vindos só das loterias federais, nos últimos três anos.

“Em Londres, deve ser algo parecido com os Jogos de Pequim”, disse Marcus Vinícius Freire, superintendente de Esportes do Comitê Olímpico Brasileiro, em encontro com jornalistas, na terça-feira, no Rio.

Em compensação, quatro anos depois, nos Jogos Rio 2016, o Brasil pretende avançar 13 posições no quadro geral de medalhas.

Isso quer dizer: sair da atual 23ª colocação, obtida em Pequim (três ouro, quatro prata e oito bronze), para se colocar entre os 10 primeiros do mundo, nas Olimpíadas do Rio. A meta é a mesma fixada na última Conferência Nacional do Esporte. Ousados?

Estratégia

Para tal evolução, além de manter o pódio nas modalidades em que já conquista medalhas – iatismo, vôlei, judô, futebol, natação, vôlei de praia, atletismo e taekwondo – será preciso estar entre os três primeiros em, pelo menos, em mais seis modalidades.

E o foco para essa odisséia são os esportes que mais distribuem medalhas, conforme a estratégia do COB: atletismo (141 medalhas), natação (96), judô (48), levantamento de peso (45), tiro (45) boxe (44) e ciclismo (42).

Paralelamente, concentrar recursos na preparação de atletas das categorias sub-23 e sub-18 com potenciais para chegarem a finais em 2016. Muitos desses atletas, inclusive, estarão na delegação brasileira em Londres. “Não para competir, mas para sentir o ambiente dos Jogos, da convivência na Vila dos Atletas e quebrar o impacto do primeiro grande evento”, justificou Marcos Vinícius.

A contratação de técnicos estrangeiros e o intercâmbio com outros países também faz parte da estratégia para o Brasil se tornar olímpico Top 10.

País competidor

A estratégia do COB é indispensável. Afinal, vamos receber os Jogos Olímpicos e precisamos mostrar que não somos apenas bons organizadores, mas competidores de ponta não apenas no vôlei, vela e futebol.

Neste ponto é indispensável reconhecer que corremos contra o tempo e, mais uma vez, fica evidente a falta de uma política de esportes para o país. O Ministério do Esporte existe há nove anos...

O dinheiro, farto, sai para várias frentes, inclusive para as Confederações de Desporto Escolar e Desporto Universitário, assim como a histórica UNE, que não aplicam o dinheiro em projetos de longo prazo e sustentáveis, mas em convescotes lúdicos de fins de semana.

A ausência dos clubes do contexto hierárquico do sistema nacional de esporte e a total ausência do Ministério do Esporte nesta missão de promover o diálogo e intercâmbio são decisivos para a falta de um plano geral do esporte.

E mesmo que o Ministério venha a se envolver, como já está fazendo, ainda assim devemos temer pelas ações projetadas, pois se trata de um órgão burocrático, sujeito às ações de governo e, principalmente, de evidentes objetivos políticos partidários. E isso é perigosíssimo para o esporte de rendimento. Os exemplos do Segundo Tempo e a gestão da Bolsa Atleta respondem por este temor.

Oportunidades

Não nos faltam recursos, humanos, pricipalmente. Mas são raras as oportunidades para os jovens serem identificados e evoluírem. Faltam metas, prioridades, planejamento. Isso é tão antigo quanto o discurso da “falta de recursos”.

Em resumo, não temos o principal: comando central. É cada um por si, e vamos em frente.

Postagem retirada do blog do José da Cruz - dia : 15/06/2011 às 10h12

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