quarta-feira, 30 de março de 2011

A crítica de Joaquim Cruz e a realidade sobre o dinheiro público para o esporte

Abaixo, matéria/postagem do blog parceiro: Blog do José Cruz, do dia 28/03/2011, sobre entrevisa concedida pelo grande atleta Joaquim Cruz a revista VEJA:

"Revista Veja desta semana apresenta entrevista com Joaquim Cruz, ouro nos 800m dos Jogos Olímpicos de 1984.

Diz ele:

“Todo mundo parece estar usando o esporte para servir a si próprio. Deixamos de investir na base e agora não temos quantidade nem qualidade”.

A manifestação sugere uma retrospectiva sobre o assunto.

Desde 2001 o esporte recebe dinheiro, muito dinheiro, do governo federal. Loterias, Lei de Incentivo, patrocínio as estatais, Bolsa-Atleta, orçamento do Ministério do Esporte etc.

E volto à tecla antiga: cada um faz seus planos, suas metas. Até o COB começou a adotar atletas para o polimento final e, assim, tentar levar o Brasil ao Top 10 do olimpismo mundial.

A meta do Top 10 foi fixada pelo Ministério do Esporte na III Conferência Nacional do Esporte, em 2010. A reunião, de quatro dias, não teve representante do COB nem das confederações, o que demonstra a falta de diálogo e entrosamento entre os órgãos que fazem o esporte nacional. Mesmo porque, a reunião foi mais uma afirmação política-partidária do que para debater sobre a realidade do segmento. Enfim...

Memória

2000 - até aí, anos de reinado do governo Fernando Henrique Cardoso, não havia dinheiro regular para o esporte. Era apenas o Orçamento da União, uma miséria.

2001 – É sancionada a Lei 10.264, que destina 2% das arrecadações das loterias para os Comitês Olímpico e Paraolímpico. Em 2010 isso representou R$ 143 milhões ao COB.

2005 – Surge a Bolsa Atleta – hoje são cerca de três mil contemplados.

2006 – O governo cria a Lei de Incentivo ao Esporte e coloca R$ 300 milhões disponíveis para captação, via Imposto de Renda.

2010 - O Ministério do Esporte anuncia R$ 90 milhões para 18 modalidades, mas o dinheiro nunca foi liberado. Ficou na promessa.

2011 – Na “Era PT” de governo federal, o esporte chega a oito estatais financiando 30 modalidades olímpicas e paraolímpicas: Banco do Brasil, Caixa, Petrobras, Infraero, Eletrobras, Correios e, mais recentemente, Casa da Moeda e BNDES

Dúvidas

O que seguidamente questiono é o quanto cada órgão recebe das várias fontes para o quê?

Claro que o dinheiro é aplicado em projetos específicos. Mas temos que considerar o seguinte: as confederações não tem despesas com uniformes, pois a Olympicus é patrocinadora oficial do COB; há recursos dos patrocinadores, da Lei de Incentivo, da Lei Piva e, finalmente, os atletas têm a Bolsa do Ministério do Esporte.

Ou seja, é dinheiro de muita fonte para um mesmo fim.

Estamos a quatro dias do mês de abril e ainda não temos o balanço anual dos recursos da Lei Piva de 2010. O COB, que faz essa prestação de contas a cada início de ano, promete os resultados do ano passado para breve.

E o Ministério do Esporte tem o controle sobre o total destinado a cada confederação? Quem faz essa fiscalização para que faça projeções sobre o futuro do esporte no país?

Pois não temos nada disso. Apesar de o Estado ser o grande financiador do esporte de rendimento, a gestão do dinheiro é na base do “cada um por si”.

Aliás, o Ministério do Esporte até que tentou tomar as rédeas dos gastos, mas uma “rebelião silenciosa”, em setembro do ano passado, sufocou a pretensão de Orlando Silva. Não sei se para o bem ou para o mal, pois contar com fiscalização do Ministério do Esporte? Sei não.

Contarei brevemente sobre isso, pois é mais um capítulo triste da nossa realidade esportiva."

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