Equipe do SESI, vice-campeão do Campeonato Paulista JuvenilDurante muitos anos, em todas as viagens que fiz pelo interior do Estado de São Paulo, por uma razão ou por outra eu acabava indo visitar os conjuntos esportivos do SESI - Serviço Social da Indústria - apesar desta entidade não abrigar o esporte de alto rendimento, objetivo primeiro desta Federação. Nestas visitas eu sempre ficava extremamente bem impressionado com a qualidade dos equipamentos esportivos, não só pelos materiais empregados em sua construção, mas também e principalmente pela manutenção dos conjuntos.
Todos nós que vivemos dentro de clubes e como dirigentes de esportes aquáticos, sabemos que muitas vezes o mais fácil é fazer a piscina e frequentemente a maior dificuldade reside na manutenção da mesma.
Bombas e tubulação que se enferrujam com o passar do tempo, azulejos que se soltam, águas mal tratadas, aquecimento insuficiente ou com muita perda de energia, fazem com que ao longo dos anos o custo de manutenção, se não for feita com regularidade, acaba superando o custo da sua construção inicial.
Isto não ocorre nos conjuntos esportivos do SESI, composto por 53 unidades e 42 piscinas semi-olímpicas aquecidas, segundo o diretor Alexandre Flug. Os mesmos tem uma manutenção preventiva e corretiva da melhor qualidade, preservando assim seus conjuntos do tempo e do uso intensivo.
Aí sempre perguntávamos ao diretor do conjunto do porquê estes equipamentos da melhor qualidade não serem utilizados para o esporte competição.
Sempre ouvíamos a mesma resposta: pelo fato de ser um serviço social aos industriários e seus familiares, não cabe, portanto, o esporte de alto rendimento. No entanto isso sempre nos pareceu um desperdício de talentos de possíveis atletas de alto rendimento, pois tendo o SESI uma população de aproximadamente 120 mil praticantes entre seis e 17 anos, o número de talentos aí escondidos poderia ser um manancial que, com o treinamento adequado, poderiam em breve se transformar em novos ídolos do esporte nacional.
Pois bem, isso mudou. Com o apoio da FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - sua entidade mantenedora, o SESI abraçou o esporte competitivo, começando pelo pólo aquático, seguido pela natação e em breve será a vez do nado sincronizado.
Com profissionais plenamente capacitados e com muitos anos de experiência nos esportes aquáticos nacionais, a equipe de pólo aquático juvenil do SESI conquistou recentemente o bicampeonato brasileiro da categoria e já começa a revelar novos talentos para o esporte brasileiro. A natação, a exemplo do pólo, também contratou profissionais de primeira linha para sua direção técnica e que já começaram a colher os primeiros bons resultados.
A melhor notícia, entretanto, não está aí. A diretoria de esportes e a presidência da FIESP têm, juntos, plena consciência que para se formar um equipe de natação de primeira grandeza leva-se no mínimo 4 anos e o mesmo se aplica ao pólo aquático ou ao nado sincronizado.
Trabalhando-se sem a pressão de resultados a curto prazo, apesar dos mesmos já estarem aparecendo, o SESI certamente está no caminho de se tornar um dos investimentos mais bem sucedidos do esporte nacional.
Editorial por Miguel C. Cagnoni, retirado do site da FASP.
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