domingo, 13 de julho de 2008

Um pouquinho de organização não faria mal

O estado falimentar da FARJ não é segredo para ninguém, pelo menos no que diz respeito ao pólo aquático, pois até onde sabemos, os campeonatos de natação continuam a ser disputados normalmente. Há dois anos que a FARJ não tem um diretor de pólo aquático e, no ano passado, a situação atingiu um estado crítico, com um calendário ridículo (campeonatos de 4 times em turno único e com semi-finais e finais em um jogo), e que só foi divulgado no dia 20 de março. Esse ano a FARJ abriu mão de vez do pólo aquático e passou a bola para os clubes. Vale a pena aqui deixar claro o que significa a expressão "passou a bola para os clubes": geralmente, um treinador toma à frente e assume o ônus de organizar o calendário e confeccionar as tabelas, os outros dão "graças a Deus" e assinam embaixo. De qualquer forma, a situação melhorou em relação ao ano passado. O calendário 2008 foi divulgado com maior antecedência, as tabelas foram melhor distribuídas, a disputa voltou a ser em turno e returno e duas boas novidades: o Torneio Júnior, que visava dar ritmo de jogo as equipes antes do Brasileiro, e o Dia do Pólo Aquático, que concentrou as finais do Juvenil e do Sênior no Parque Aquático Júlio Delamare (iniciativa que poderia ser repetida no 2º semestre, com as finais do Infanto e do Júnior). A despeito do fato dos campeonatos não possuírem regulamento, já que o único documento disponível no site da FARJ é o Código 2008 (que, por sinal, indica erradamente que os campeonatos serão em turno único), o saldo do primeiro semestre foi positivo. Até mesmo o Torneio Júnior, que não contou com a retaguarda da FARJ, isto é, os treinadores apitaram e ajudaram na mesa, foi bem organizado e cumpriu seu objetivo. Porém, o 2º semestre já se inicia sobre o signo da desconfiança.
O Torneio Infanto-Juvenil, que começou neste último sábado no Fluminense, foi um show de desencontros e desorganização. Seguindo as novas determinações da CBDA quanto as categorias (que, aliás, precisa ser revista para o ano que vem), a faixa etária 95 virou Infanto-Juvenil e, como tal, ganhou um Campeonato Estadual nos moldes das regras FINA, ou seja, masculino e feminino separados, jogos de 4 quartos etc. Contudo, devido a falta de atletas nesta categoria, acordou-se que o Campeonato passaria a ser um Torneio, permitindo a presença de equipes mistas, mas guardando as outras características (4 quartos, regras FINA etc). Em seguida, resolveu-se adotar a mesma fórmula do Torneio Júnior, isto é, para economizar, abriu-se mão do staff da FARJ, e treinadores e colaboradores fariam as arbitragens e as mesas.

E foi aí que começaram os problemas. Devido a ausência de um grupo de pessoas (ou mesmo de uma pessoa só) que responda pela organização, tanto em termos logísticos quanto no que diz respeito ao regulamento, o que se viu no Fluminense foi uma confusão só, em que pese a boa vontade das pessoas envolvidas. Relacionamos abaixo alguns dos mal-entendidos ocorridos nessa 1ª rodada:
- participação de atletas 94 em um torneio 95.
- desconhecimento de qual regulamento aplicar (em alguns momentos, os treinadores/árbitros aplicavam as regras especiais dos Festivais Infantis).
- incerteza da duração dos quartos (na dúvida entre 6 ou 5 minutos, optou-se por 5)
- falta de profissionais (no jogo entre Fluminense e Tijuca, Marcos, ajudante do Guanabara, teve que "quebrar um galho" e apitar o jogo, pois não havia nenhum outro treinador ou jogador disponível).
- ausência de placar, cronômetro e microfone na mesa (se não fossem os cronometros de 30 segundos do Fluminense, o caos teria sido completo, pois não havia nem como avisar as equipes do andamento do tempo de jogo).
Em resumo, foi um evento que ficou muito distante do mínimo de organização que se espera, ainda mais se tratando de uma categoria de base, que cumpre o papel não só de formar atletas mas, também, de atrair mais praticantes para o pólo aquático.
Repetimos, as pessoas envolvidas na organização de sábado fizeram o possível, com o máximo de boa vontade, mas não dá para o pólo aquático carioca continuar acéfalo. É preciso que os clubes, ou quem quer que seja, assumam a organização efetiva do pólo carioca, providenciando um mínimo de direcionamento para as questões relativas ao andamento dos jogos e as dúvidas quanto às regras, ou esse quadro de penúria só tende a aumentar.

4 comentários:

Emir disse...

Isto já era de se esperar. Quando comento que as coisas vão de mal a pior, ninguém se pronuncia. Quando comento que o pólo carioca será, simplesmente, engolido pelo pólo de SP ninguém se pronuncia, ou melhor,diz que é mania de perseguição. Se as atitudes dos profissionais e dirigentes cariocas continuar assim, não dou mais 5 anos pro pólo do RJ acabar.

Anônimo disse...

Algumas considerações:
1 - As taxas de arbitragem pagas pelos clubes se SP são exorbitantes, os clubes d Rio não têm a menor condição de pagá-las;
2 - Seríamos injustos com a Farj ao criticá-la, pois o seu presidente sempre se fez presente e ajudou todos os clubes cariocas quando a Federação possuia patrocinio dos bingos;
3 - Não houve falta de profissionais, o técnico do CRF tb é técnico da seleção feminina e no mesmo dia teve que dar treino, e o técnico do Gb Zé Carlos, também teve um compromisso, por isso o Marquinhos teve que ajudar;
4 - Nessa semana aconteceu um simpósio internacional de pólo aquático com a presença de um técnico espanhol, que disse que nas categorias de base de lá, as regras também são adaptadas, por isso esse papo de regra FINA é conversa;
5 - Nos campeonatos brasileiros da categoria que serão realizados em agosto e dezembro também terão modificações e adaptações;
6 - A arbitragem dos campeonatos de natação é custeada pelos atletas participantes, que por cada prova disputada pagam uma taxa (não sei o valor);

Criticar é fácil, todos sabemos, está na hora de SUGERIRMOS, então como estou criticando a postura do blog, vou deixar aqui a minha sugestão... os atletas participantes pagariam um taxa de R$ 10,00 por jogo, com esse dinheiro (R$ 130,00 por time = R$ 260,00) pagaríamos a arbitragem.
Deixo em aberto para deliberarmos sobre o assunto.
Abraço André Raposo (Quito).

Anônimo disse...

André " Quito" Raposo, não consideramos uma crítica seu comentário, e sim uma grande sugestão para tirar o pólo aquático da inércia em que se encontra na FARJ. Achamos que a FARJ tem que buscar novos horizontes, felizmente em razão de tudo o que foi apontado pela Justiça a era dos Bingos acabou. Aceitamos críticas também, desde quem faça envie como voce, se identificando verdadeiramente e não inventando apelidos e nomes falsos.

Touca 14 WP Blog disse...

Caro Quito,
As colocações do blog ñ foram críticas ao presidente da Farj, de quem, aliás, só ouvimos elogios. Ñ tem problema nenhum nos adaptarmos as necessidades, ou seja, jogar com técnicos apitando, adaptar as regras a realidade das categorias etc. O q ñ dá é para essas coisas serem resolvidas na hora, na beira da piscina. É preciso q um grupo, ou até mesmo uma pessoa, q seja, assuma a responsabilidade de organizar os torneios, tanto no aspecto logístico, (por ex., se ñ tem placar, nem cronômetro, tentar viabilizar com antecedência um microfone e uma caixa de som), qto no aspecto do regulamento (alguém q fique responsável por costurar um regulamento q se adapte a categoria e passe para todo mundo com antecedência). Concordo plenamente q sugestões são bem vindas, a sua, inclusive, acho muito boa, mas o próprio fato dela estar sendo colocada aqui, no painel de comentários do blog, já prova q é preciso organizar melhor essa situação. Eu, e mais um monte de pessoas, tb temos sugestões a fazer, mas a quem encaminhá-las? Quem é o responsável (ou responsáveis), por esse torneio?
Volto a repetir, o cunho da postagem foi de q é preciso q tenhamos alguém q responda pela organização, uma espécie de "síndico", q ouça as sugestões, examine as possibilidades concretas e administre, mesmo q minimamente, essas situações. Só isso.
Abs.,
Clodoaldo.