segunda-feira, 10 de março de 2008

Alemanha e Canadá surpreendem em Oradea


Defesa do Canadá bloqueando o ataque da Romênia. Foto: Wolfgang Philipps/waterpoloworld.com




Nossek, um dos principais jogadores da Alemanha. Foto: site oficial do Pré-Olímpico.



Qualquer projeção feita antes da disputa do Pré-Olímpico FINA masculino, que levasse em conta os elencos, o momento atual e a tradição das seleções envolvidas no torneio, apontaria que as quatro vagas para Pequim teriam, provavelmente, o seguinte destino: Itália e Grécia se classificariam diretamente para as semi-finais e ficariam com as duas primeiras vagas, enquanto Rússia, Alemanha e Romênia brigariam pelas duas restantes. Porém, com exceção da Grécia, que confirmou o seu favoritismo, o que se viu foi um pouco diferente. A Alemanha não só garantiu sua vaga logo na primeira fase, como acabou campeã do Pré-Olímpico. E, mais surpreendente ainda, foi a eliminação de Rússia e Romênia e a conquista da vaga pelo Canadá.
A Alemanha vem apostando nessa seleção já há algum tempo e os resultados têm aparecido. Os alemães foram 5º colocados em Atenas 2004 e na Liga Mundial 2007 ficaram em 4º lugar, após protagonizarem um grande jogo na semi-final contra a Sérvia. É uma seleção experiente, com jogadores que jogam juntos já há algum tempo. O grupo que participou desse Pré-Olímpico é praticamente o mesmo do Mundial do ano passado em Melbourne, a não ser pelo atacante Timo Purschike, que entrou no lugar de Lukasz Kieloch. Mas Purschike não é um novato, já tendo feito parte da seleção alemã no Europeu de 2003 e no Mundial de 2003. Antes do Pré-Olímpico a Alemanha treinou por uma semana com Montenegro, empatando uma partida amistosa. Depois, os alemães foram até a Hungria para jogar um amistoso com os campeões olímpicos. Apesar de todas essas credenciais, não deixou de ser uma surpresa a forma como a Alemanha alcançou a classificação nesse Pré-Olímpico: em primeiro lugar na fase de classificação e com o título numa campanha invicta.
Mas em se tratando de surpresas, nada supera a vaga obtida pelo Canadá. É a primeira vez na história que o Canadá conquista a vaga para disputar uma Olimpíada. Os canadenses participaram das Olimpíadas de Munique (1972) e Los Angeles (1984) como convidados, e em Montreal (1976) tinham seu lugar assegurado como país sede.
É verdade que o Canadá levou sorte na divisão dos grupos, uma vez que, da forma como estava o grupo B, bastava ao Canadá vencer a Macedônia para avançar às quartas-de-final e ter a chance de disputar a vaga olímpica. Porém, também é verdade que o Canadá soube ir além da questão sorte. Venceu sem sustos a Macedônia, conseguiu um empate histórico com a Itália (numa partida que, segundo dizem, merecia ter vencido) e, simplesmente, derrotou os donos da casa na partida decisiva, diante de mais de 1500 torcedores. Sem dúvida, esse resultado é fruto do programa de desenvolvimento do pólo aquático implantado pela Federação Canadense há quatro anos. Após a participação no Pré-Olímpico de 2004, no Rio de Janeiro, quando o Canadá foi muito mal, iniciou-se um novo projeto cujo marco foi a contratação do técnico sérvio Dragan Jovanovic, um ex-goleiro na antiga Iugoslávia. Entre as mudanças implementadas por Jovanovic, está a criação de centros de treinamentos de base por todo o Canadá, o que tem sido responsável pelo aumento do número de praticantes e da descoberta de novos talentos. Mas, evidentemente, o sucesso tão repentino deve-se, principalmente, a política de intercâmbio da seleção principal. A seleção canadense realiza treinamentos periódicos com a seleção americana e, pelo menos uma vez ao ano, treinamentos na Europa. Nos quinze dias que antecederam o Pré-Olímpico, o Canadá passou uma temporada treinando em Montenegro e, em seguida, foi disputar a Copa Volvo na Hungria, aonde teve a oportunidade de jogar contra a Austrália, a Hungria e a Romênia (quando perdeu por 16 a 6!). Some-se a isso, o fato de alguns jogadores atuarem fora do Canadá, o que aumenta o intercãmbio, como é o caso de Nathaniel Miller (em Montenegro), Aaron Feltham (na Hungria) e Robin Randall (na Austrália). Porém, o mais significativo, é o fato da Federação Canadense ter mantido o foco no modelo de desenvolvimento escolhido, mesmo com os altos e baixos de qualquer projeto. Depois de ter conseguido a vaga para o Mundial 2007 derrotando o Brasil em pleno Rio de Janeiro, o Canadá sofreu um duro golpe com a derrota nas semi-finais do PAN 2007 (o Canadá nunca ganhou uma medalha de prata em Pan-Americanos). Apesar disso, o projeto foi mantido, a programação foi mantida, e a recompensa veio em menos de um ano com a vaga olímpica.

Aproveitando a definição das últimas quatro vagas olímpicas, foi realizado, ainda em Oradea, o emparelhamento para o sorteio dos grupos para Pequim. O sorteio será no próximo dia 22 de março, em Pequim, e as chaves ficaram assim:

Chave 1 - Croácia e Hungria
Chave 2 - Espanha e Sérvia
Chave 3 - Austrália e EUA
Chave 4 - Montenegro e Alemanha
Chave 5 - China e Canadá
Chave 6 - Itália e Grécia

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