terça-feira, 30 de outubro de 2007

Entrevista Tamas Kasas - 2ª parte

Foto: prorecco.it



Segue abaixo a segunda parte da entrevista de Tamas Kasas, disponibilizada em inglês pelo site prowaterpolo. Nessa parte, Kasas fala sobre seu dia-a-dia na Itália e volta a abordar os sérvios, grande pesadelo dos húngaros atualmente.


Na seleção húngara, com quem você se relaciona melhor?

Eu me relaciono bem com todos. É claro que eu tenho uma relação mais forte com os jogadores com os quais eu jogo junto desde o início. Mas há alguns jogadores novos com quem eu já tenho uma relação muito boa.

Você é supersticioso? Você tem algum ritual antes das partidas? Como está sua contusão?

Eu não sou nem um pouco supersticioso, mas diria que tenho um hábito. Logo antes do jogo começar, eu afundo 5 vezes, me impulsiono para a superfície e, na quinta vez, dou uma grande pancada na água. Eu estou melhorando, obrigado.

Você poderia falar sobre sua carreira bem no início? Desde quando você aprendeu a nadar.

Desde que eu tinha 1 ano de idade, eu já nadava com meu pai em águas profundas. Eu aprendi a nadar muito cedo, mas nunca gostei realmente. A primeira vez que jogaram bolas na água, tudo mudou. Após o treino, eu e alguns companheiros continuamos por mais uma hora na água só para chutar algumas bolas. Nós adoramos, virou nossa paixão.

Vocês, rapazes, ainda têm aquela “atitude moleque” que é indispensável para sair de certas situações difíceis?

Nos últimos dez anos os adversários vêm se preparando cada vez melhor para nos enfrentar, por isso é cada vez mais difícil conseguir surpreender. Isso é normal. Nós temos que apreender a jogar mais disciplinadamente. De qualquer forma, eu acho que ainda somos nós que jogamos o pólo aquático mais espetacular, mas é uma pena que a beleza não conte pontos.

Você acha possível ter uma seleção unida para as Olimpíadas, como foi em Atenas? Você gostaria de ser treinador de novas gerações quando parar de jogar?

Não vai haver dispersão, pelo contrário. Os novatos são o sangue novo que precisamos. Dinamismo jovem, e nós apoiamos isso. Nós temos um objetivo comum. E se trata, no fundo, de uma questão de inteligência. Sim, eu gostaria de ajudar as futuras gerações de alguma forma.

Nós somos capazes de nos adaptarmos ao jogo físico e duro dos sérvios?

Não temos medo deles, mas somos totalmente conscientes de que nos últimos anos eles foram melhores do que nós. Isso, com certeza, dá confiança a eles. Nas Olimpíadas vai ser diferente, pois eles têm muito mais a perder, eles ganharam tudo, menos o ouro olímpico. Se nós jogarmos contra eles em Pequim, eles não vão esquecer. Talvez lembrem-se de Atenas. Nós estamos treinando muito as jogadas de homem-a-mais.

Você acompanha os resultados da nova geração húngara? O que você acha dela?

Sim, eu acompanho e me interesso pelos resultados. Em especial, porque nós começamos do mesmo jeito e o sucesso que alcançamos nos deu uma enorme motivação para continuarmos. Como eu jogo no exterior, eu não conheço muito os jogadores, mas os resultados desse ano mostraram que não teremos problemas no futuro.

Como é o seu dia?

Aqui na Itália, nada muito agitado. Nunca treinei tanto na minha vida. Dois treinos diários durante toda a semana, apenas uma tarde livre. Acordo de manhã, tomo meu café (geralmente 2 pãezinhos com Nutella e 1 capuccino). Treino, depois almoço com algum companheiro de time. Vou para casa, relaxo, leio alguma coisa, navego na internet, assisto um pouco de TV e treino ao anoitecer. Essa é a minha rotina.

O que você gosta e o que não gosta na sua vida de atleta profissional?

Eu lido muito mal com o fracasso logo após os jogos, mas tenho aprendido a administrar isso. Assim como o sucesso. Eu não tenho pensado muito sobre isso, prefiro aguardar a próxima oportunidade de ser posto à prova. O sucesso, o amor das pessoas, saber que temos tantos fãs, a sensação de estar no lugar mais alto do pódio e saber que valeu a pena trabalhar duro... esses são os pontos positivos.
A solidão, as freqüentes contusões, o fato de a vida de um atleta profissional não ser o que se possa chamar de saudável nos dias de hoje... esses são os pontos negativos. O pólo aquático, em si, é ótimo, mas a parte em volta devia ser melhor organizada para o pólo ser melhor vendido para a TV. Se o pólo aquático fosse sempre como na Unicum Cup, na Hungria, seria perfeito.

O que você mudaria nas regras?

Talvez um campo menor fosse melhor, para evitar tanta natação e focar mais no jogo em si.

O que você mudaria nos treinamentos da nova geração? Seu caráter profissional?

De qualquer maneira, eu gostaria de usar meu nome e a minha popularidade para atrair mais pessoas para o pólo aquático e para aprimorar as próximas gerações.

Nenhum comentário: