sábado, 1 de setembro de 2007

Bate-papo com o técnico Ângelo Coelho

Ângelo Coelho em foto do site waterpolo-planet.com


Ontem estávamos no Guanabara, eu, Luís Fernando e nosso amigo Ronaldo, conversando sobre pólo aquático, evidentemente, quando para nossa grata surpresa o juvenil do Botafogo chegou para treinar, o que nos propiciou um agradável bate-papo com o técnico da seleção júnior, Ângelo Coelho, sobre o Mundial Júnior e a seleção brasileira. Abaixo tentamos reproduzir alguns tópicos dessa conversa puxando pela memória, já que, infelizmente, não gravamos o bate-papo.



Expectativa


O 14º lugar ficou dentro das expectativas. Na verdade, a idéia era brigar pelo 12º lugar, já que as nove seleções européias, mais os EUA e a Austrália, estão muito à nossa frente.
Porém, nas partidas contra Japão e Canadá, perdemos no final, na natação. Apesar da seleção brasileira ter treinado muito, ainda assim, no final desse dois jogos ficamos abaixo dos japoneses e canadenses na natação, o que acabou sendo decisivo. No jogo contra o Japão as jogadas de H+ também fizeram a diferença (foram 6 para o Brasil e 14 para o Japão), já o Canadá, veio muito mais nadado do que no Pan-Americano do ano passado e depois de virarmos um 0-2 para 5-2, empatamos em 7-7 mas não aguentamos o ritmo no final. Contra a Eslováquia aconteceu algo parecido, fizemos um jogo igual até o último quarto, mas não seguramos o ritmo.



O melhor jogo e o pior jogo


O melhor foi contra a Espanha. Chegamos a empatar em 2-2 e na maior parte do jogo nunca estivemos mais do que dois gols atrás. O oitavo gol espanhol (o jogo foi 8-5) saiu no último ataque.
O pior jogo, sem dúvida, foi contra a Itália. Nós simplesmente não conseguimos jogar. Não conseguíamos chutar ao gol devido a fortíssima defesa italiana, o que foi deixando nossos atletas cada vez mais ansiosos e precipitando os chutes. Com 7-0 no primeiro tempo, a opção foi rodar o banco para poupar o time para o jogo contra o Japão. A verdade é que a seleção italiana é superior a nossa em todos os aspectos.



Aproveitamento nas jogadas de H+


Nosso aproveitamento no H+ foi baixo contra as equipes européias porque eles marcam pressão mesmo no H+, tal a velocidade de deslocamento das defesas. Nossos jogadores eram obrigados a se afastar para conseguirem espaço, o que comprometia o chute. Quando a bola caía na água então, aí não tinha jeito.



Destaques do Mundial


A seleção que mais me impressionou foi a da Itália. É uma seleção muito forte, com uma defesa impressionante e excelentes jogadores. Na semi-final contra a Croácia, o último ataque foi da Croácia num H+ de 6 contra 4 e os italianos conseguiram defender. A Itália apresentou um canhoto de alto nível. Esse time, quase todo, já joga na 1º ou 2º divisão italiana. Eles ficaram apenas na 9ª colocação no Europeu Júnior porque levaram azar no grupo. Pegaram um grupo difícil, ficaram em terceiro e perderam a chance de brigar de 1º a 8º, mas é uma seleção muito forte.
A Austrália também é um excelente time e merecia melhor sorte no campeonato. O goleiro e o centro são muito bons. Se tivessem cruzado com Croácia ou Itália nas quartas-de-final, ao invés da Hungria, talvez tivessem chegado mais longe. Mesmo assim, a Austrália chegou a estar vencendo a Hungria por 6 a 2 e só perdeu nos pênaltis. Na decisão de 5º lugar fizeram com os EUA o que a Itália fez com o Brasil, isto é, os americanos não conseguiram jogar. O time dos EUA é o mesmo que disputou o Mundial 2005, mas agregou quatro novos jogadores.
O centro da Eslováquia tem mais de 2 metros de altura e é o centro da seleção principal que vai disputar agora o Pré-Olímpico Europeu. No Mundial Júnior ele atuava no centro e marcava centro.
A Espanha foi a grande decepção do campeonato e a Croácia é um bom time, mas nada excepcional.
Sérvia e Hungria são seleções muito fortes, os sérvios sentiram a falta de Filipovic e a Hungria teve como destaque Denes Varga, que foi para a Hungria o que o Filipovic é para a Sérvia. As semi-finais (Hungria vs. Sérvia e Itália vs. Croácia) foram dois jogaços que valeram o campeonato. No geral, o nível foi parecido com o Mundial de 2005 em Mar del Plata.



Perspectivas


As perspectivas para a seleção '91 são boas, pois a diferença com relação aos europeus deve diminuir nessa faixa etária. Mas é preciso começar um trabalho desde já. Não dá para treinar forte só nos três meses que antecedem o campeonato e esperar ficar entre os dez primeiros. Os atletas têm que treinar forte também nos clubes. É claro que o intercâmbio é fundamental, pois falta jogo para nossos atletas. Mesmo treinando aqui contra equipes adultas não é a mesma coisa. O ideal é irmos uma vez por ano para a Europa e também trazermos os europeus para cá. O problema é que custa muito caro e, mesmo assim, conseguiríamos ficar em oitavo ou, no máximo, em sexto. Esse é um outro problema, pois no Brasil as pessoas não vêem muita diferença entre oitavo e décimo-quarto, por exemplo.
A Austrália também fica longe da Europa mas há mais de 15 anos envia seleções de todas as categorias (masculino e feminino) para a Europa, só que os pais dos atletas pagam por essas viagens, com a Federação Australiana ajudando aqueles que não tem condições.


Um comentário:

Emir disse...

Para os que leram a coluna comentários da minha matéria "Novas Reflexões" o prof Ricardo Cabral informou que estará sendo feita uma pré-convocação da próxima seleção Júnior após o Brasileiro Juvenil. Vamos aguardar esta convocação e ver que tipo de trabalho a CBDA pretende desenvolver com os meninos. Acredito que uma pré-convocação para Sel Adulta também seria interessante.