Emílio Vieira, destaque do Brasil no Mundial, em ação no Sul-Americano Juvenil 2007. Foto de Sátiro Sodré, retirada de www.cbda.org.br
"Posso afirmar que no aspecto técnico foi o melhor dos últimos anos (não assisti ao de Mar del Plata). Ficou muito a desejar em termos de organização, bem abaixo dos padrões exigidos pela FINA, mas no fim, foi satisfatório.
Mostrou mais uma vez, e desta vez, na minha opinião, muito mais evidente, o abismo técnico que separou os imortais (Hungria, Servia, Croácia, Itália), dos quase imortais nessa categoria (Espanha, Austrália, EUA), dos mortais (Alemanha, Eslovaquia, Japão, Brasil, ...). Veja bem, estou incluindo, aí, europeus que estão há 02 ou 03 horas de carro das feras do primeiro grupo. A Alemanha, levou, se não me engano de 18 a 01 e 21 a 07 dessas equipes!
Isso ajuda a deixar bem claro o que venho dizendo há anos. A questão não é só investimento. É treino, mais treino e muito treino. Aqui no Brasil e fora do Brasil. Não adianta ficarmos só nos lamentando a falta de intercâmbio se não, pelo menos, dobrarmos nossa carga de treinamento. Ouvi do Ângelo uma frase para a garotada: " Pessoal, nós treinamos muito! Mas o muito continua sendo muito pouco...se treinaram 5.000 de água, rodaram mil vezes H+, vão ter que nadar 10.000 e rodar 2.000 vezes ".
A equipe mostrou uma movimentação muito boa, principalmente na defesa (esse conceito está cada vez mais sendo aprimorado no Brasil), onde se destacaram nesse ponto o João Felipe, Jonas Crivella, Bernardo "Braguinha" e Lucas. O destaque individual ficou por conta do Emílio (já mais rodado em relação aos calouros).
Voltando no aspecto geral, a diferença técnica visível já começa no aquecimento. Passes de 05, 10 ...precisos. Deslocamentos fantásticos e chutes com posições variadas, principalmente antecedidos por deslocamentos laterais . Uma aula de pólo aquático deram os times da Hungria, Servia, Itália e Croácia (a Austrália também foi magnífica). O número 10 da Hungria (se não me engano Vargas) já é um jogador pronto. Simplesmente fantástico.
O time do Brasil, com muito potencial para melhorar sentiu e viu o que é o pólo aquático. Ouvi comentários do jogo contra Itália que o Brasil não jogou bem. De fato, o Brasil não jogou porque eles não nos deixaram jogar. Marcação forte no centro e afastando o nosso ataque para além dos 8 metros, precisão nos passes (houve um gol com apenas 01 passe do goleiro e a finalização dos 04/05 metros. Sem molhar a bola!).
O Ângelo e o Lins, farão na próxima semana, durante o Brasileiro Juvenil, um bate-papo com técnicos e atletas sobre o campeonato.
Vou finalizar com o que disse a garotada após a competição: " Vocês foram apresentados aqui nos EUA ao Senhor Pólo Aquático. Façam de conta que receberam um cartão de apresentação. Manter o contato com ele daqui para frente, dependerá muito de vocês. Alguns praticamente encerram a vida esportiva após essa competição, outros continuam sem maiores objetivos e muito poucos buscam realmente ser os melhores. As dificuldades existem? É claro que sim (não preciso nem enumerá-las). Mas não deixem que outros coloquem essas dificuldades acima da vontade de vocês serem os melhores." "
Vale ressaltar, também, essa iniciativa interessante de organizar uma conversa entre os técnicos Ângelo e Lins e outros técnicos e atletas, durante o Brasileiro Juvenil (a ser realizado no feriado de 7 de setembro). Essa medida deverá incentivar as novas gerações e mostrar à elas o verdadeiro nível do pólo aquático mundial.
3 comentários:
Brasileiro de longa duração é o primeiro passo....sem isso nem precisa bate papo....Um calendário com um nacional longo é q vai dar inicio pra um trabalho de base bem feito. E claro separar as categorias de acordo com as novas faixas etarias da FINA, como já foi feito na europa.
Com todo o respeito, é lamentável que pessoas com anos de vivência no pólo, como Sr. Cabral, declarem que o problema maior é mesmo falta de treino. Vão treinar em 3 períodos, nadar 10.000 metros e rodar 2000 H+ e sabe o que vai acontecer? Vai continuar um abismo enorme. Ou alguém acha que essas principais potências nadam 10000m por dia e treinam em 3 periodos diarios?? A diferença não é QUANTIDADE de treino, mas sim QUALIDADE. Uma hora de coletivo de alto nível vale mais do que uma semana de treinos daqui. E qualidade só vai se obter treinando com equipes decentes e não como fazendo aqui, onde nos reunimos finais de semana e fazemos uma "pelada" entre si ou com um misturado de jogadores de diversos clubes que vão dar um ajudinha senão não tem nem coletivo.
O exemplo que o Sr. Cabral dá é ainda mais lamentável. Comparar outras seleçoes com Hungria e Servia para justificar os nossos resultados é patetico. As seleçoes que ele criticou pelo menos estão no segundo escalão e tem condições de jogar num nivel mais alto. Nesse mundial jr mesmo os USA ganharam da Croacia e perderam da Italia por um gol. No adulto, a Alemanha fez ótimos jogos com Hungria e Sérvia e simplesmente atropelou os EUA que, por sinal, atropelou o Brasil. A verdade é que o Brasil não está nem perto do fundo do segundo escalão. Isso que preocupa. Se estivessemos longe apenas dessas 3 ou 4 equipes da elite seria um sonho.
Engraçado tb é exigir um comprometimento dos atletas maior do que os dos proprios profissionais enquanto a poderosa CBDA oferece essa estrutura ridícula.
Será que todas as gerações de atletas foram preguiçosas até hj? Será que nem uma geração jamais treinou??
Em suma, o que foi dito pelo Sr. Cabral é que a CBDA faz um bom trabalho mas os atletas não se dedicam o suficiente.
É mais uma forma de tirar o corpo fora e jogar a culpa nos atletas.
Uma atitude medíocre e covarde esse tipo de declaração.
Ass: Roberto - atleta
Nova vida para o WaterPoloTuga!
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Abraços
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