O mundo do pólo aquático tem como verdade que este esporte é dependente da natação na CBDA. Se não tivesse atrelado à esta mesma confederação, não sobreviveria. Infelizmente, ouço isso até dos dirigentes do pólo aquático que comandam nosso esporte naquela confederação.
Primeiramente, observa-se, na estrutura da CBDA, no seu organograma " diretoria esportiva ", a presença de 4 pessoas, sendo que três relacionadas ao pólo aquático masculino, portanto não existe nesta dita diretoria esportiva um responsável pelo pólo aquático feminino e uma pessoa responsável pela arbitragem, que sinceramente não deveria estar ligada a diretoria esportiva, pois nesse mesmo organograma existem coordenadorias, onde deveria estar posicionado a arbitragem do pólo aquático brasileiro, tal como a Coordenadoria de Arbitragem de Natação. Os outros esportes: o nado sincronizado tem dois dirigentes e hoje este esporte, temos que reconhecer, está bem mais presente na mídia do que o pólo aquático; os saltos ornamentais tem um dirigente e as marotanas aquáticas também contam com um.
Portanto, é óbvio que o nosso quadro de dirigentes está inchado e isso não é nem um pouco benéfico para o pólo aquático, servindo apenas como moeda de troca para apoio político em futuras eleições. Aliás, corre o boato que será criado um novo cargo ligado a seleção brasileira júnior. Realmente, o único cargo na CBDA que cuida do pólo aquático é o da Coordenadoria Técnica de Pólo Aquático.
Agora vamos demonstrar quais são os critérios para o repasse da verba do COB - Comitê Olímpico Brasileiro para as confederações (Instrução Normativa 1/2004 do COB, que disciplina a aplicação dos recursos financeiros decorrentes da Lei 10.264, de 16 de julho de 2001 - Lei Agnelo/Piva, regulamentada pelo Decreto nº 5.139, de 12 de julho de 2004)
Elas precisam atingir os seguintes critérios estabelecidos:
a) Nível Técnico atingido pelas modalidades das Confederações Brasileiras filiadas:
a - 1) Sul-Americano;
a - 2) Pan-Americano;
a - 3) Mundial;
a - 4) Olímpico.
b) Probabilidade e posterior confirmação de classificação entre os finalistas:
b - 1) Jogos Sul-Americanos;
b - 2) Jogos Pan-Americanos;
b - 3) Jogos Olímpicos.
c) Número de Praticantes da modalidade inscritos ou registrados oficialmente.
d) Número de Federações filiadas as Confederações.
e) Infra-Estrutura Técnica e Administrativa para o Desenvolvimento da Modalidade.
f) Aquisição de Material e Equipamento para o Desevolvimento da Modalidade.
g) Resultado do Diagnóstico e Análise das Modalidades Olímpicas, realizado pelo COB, anualmente.
Em cima desses critérios, a distribuição percentual para as confederações é estabelecida dentro do ciclo olímpico, ou seja, de quatro em quatro anos. Atualmente, de 28 confederações, as seguintes atingiram o percentual máximo de 4% (quatro por cento), em 2006:
- Confederação Brasileira de Atletismo - R$ 2.308.238,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Basquetebol - R$ 2.181.233,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos - R$ 2.252.940,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Ginástica - R$ 1.837.978,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Vela e Motor - R$ 2.470.908,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
- Confederação Brasileira de Voleibol - R$ 2.849.983,00 (previsto: R$ 1.904.000,00)
Esses recursos, oriundos da Lei nº 10.264 - Lei Agnelo/Piva, deverão ser aplicados conforme o Plano Estratégico Plurianual de Aplicação de Recurso, do ciclo olímpico de quatro anos, nos programas de:
a) Fomento e Desenvolvimento do Desporto:
a - 1) Manutenção da Entidade;
a - 2) Centro de Treinamento;
a - 3) Fomento da modalidade;
b) Formação de Recursos Humanos:
b - 1) Clínicas de Treinamento Prático ou Teórico;
b - 2) Cursos Nacionais;
b - 3) Cursos Internacionais;
b - 4) Assembléias, Feiras, Congressos, Simpósios e Seminários Nacionais e Internacionais;
c) Preparação Técnica, Manutenção e Locomoção de Atletas:
c - 1) Manutenção e Locomoção do Atleta;
c - 2) Manutenção e Locomoção de Comissão Técnica;
d) Participação em Eventos Esportivos:
d - 1) Participação em Eventos Nacionais;
d - 2) Participação em Eventos Internacionais;
d - 3) Organização de Eventos Nacionais;
d - 4) Organização de Eventos Internacionais.
Analisando o que foi exposto acima, observa-se que a CBDA, em relação ao pólo aquático, deixa a desejar em todos os ítens. No próximo "O fim do pólo aquático ?", demonstraremos que o pólo aquático ajuda a CBDA a conquistar o índice máximo de 4%, não tendo, em contra-partida, o que está previsto nas letras a, b, c e d.
Em relação a nossa pretensão da criação da, pelo menos, Associação Brasileira de Pólo Aquático, iniciaríamos com o percentual de 1% de recursos da Lei Agnelo/Piva, pois com exceção das Confederações Brasileiras de Desportos na Neve e Desportos no Gelo, que tiveram uma previsão orçamentária de 0,5%, com valor de R$ 242.000,00, em 2006, todas as outras confederações receberam, pelo menos, como previsão, 1%, que daria R$ 476.000,00. Nota-se abaixo, que todas tiveram variação, mas receberam o que estava mais ou menos planejado. Inclusive, a já existente e participante do COB, Associação de Hóquei sobre Grama e Indoor.
Desportos na Neve - 0,5% - R$ 360.982,00 (previsto: R$ 238.000,00)
Desportos no Gelo - 0,5% - R$ 242.067,00 (previsto: R$ 238.000,00)
Badminton - 1,0% - R$ 499.524,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Hóquei s/ Grama e Indoor - 1,0% - R$ 259.374,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Lutas - 1% - R$ 353.268,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Pentatlo Moderno - 1% - R$ 520.502,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Taekwondo - 1% - R$ 426.558,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Tiro com Arco - 1% - R$ 588.058,00 (previsto: R$ 476.000,00)
Beisebol e Softbol - 1,5% - R$ 845.160,00 (previsto: R$ 714.000,00)
Tiro Esportivo - 2% - R$ 913.258,00 (previsto: R$ 952.000,00)
Triathlon - 2% - R$ 1.181.407,00 (previsto: R$ 952.000,00)
Canoagem - 2,5% - R$ 1.089.722,00 (previsto: R$ 1.190.000,00)
Por isso, com certeza, a nossa Associação Brasileira de Pólo Aquático ou a autonomia administrativa e financeira dentro da própria CBDA começaria com uma verba disponível de R$ 476.000,00, sem contar com patrocínios e, como demonstraremos no próximo post, os resultados alcançados pelo pólo aquático, que, ao final de quatro anos, aumentariam o repasse para, pelo menos, 2%, que hoje seria uma verba prevista de R$ 952.000,00. Valores tanto o primeiro como o segundo que hoje a CBDA, certamente, não destina ao pólo aquático brasileiro.
6 comentários:
imagina se todos esses clubes ao lado e mais amazonense,ama, varios clubes de nordeste e etc participassem de um brasileiro, seria muitoo maneroo !
a cbda tenque se agitar para fazer isso ! porque um brasileiro com 8 so de rio e sao paulo nao pode existi !
luis fernando, meus parabéns!
vc está levantando dados que darão subsídio a qq conversa séria que se queira fazer sobre o futuro do polo aquático.
o próximo passo agora será todo mundo que quer ver o wp crescer, deixar de lado a vaidade para começar a debater soluções concretas.
abs
Parabens pela analisi ! Falta so saber quantos inscritos de o WP brasileiro, depois iremos fazer uma analisi de tudo.
Luís,
excelente trabalho de levantamento! Vc tem abordado o X da questão. Quem quiser realmente mudar a situação do pólo brasileiro tem q começar por aí, isto é, pela discussão da estrurura. Ñ adianta nada meia-dúzia de pais se reunirem para organizar campeonatos paralelos, ñ vai mudar nada. Tem q sentar, colocar esses dados na mesa, abrir a caixa preta do pólo e começar a pensar numa nova estrutura. Agora para isso precisa haver VONTADE REAL das pessoas q comandam o pólo no Brasil. Andou se falando de um encontro pós-Pan para se abordar esses assuntos com a participação de dirigentes e aberto a todos os interessados. Como anda a idéia desse encontro? Alguém sabe se continua de pé?
Abs.
Clodoaldo,
tô 100% de acordo com cada palavra.
Abs
sou jogador por isso nao vou me identificar.
as ideias sao boas so que eh muito complicado fazer isso, sem ajuda dos clubes. Os pais podem ateh organizar campeonatos, sem piscina e cronometros nao vai rolar.
Entao antes de tentar organizar campeonatos, tentem falar com os clubes e buscar locais para que realizem os mesmos.
vou ver se consigo alguma coisa com os clubes de sao paulo, se conseguir postarei de novo
WP#6
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