segunda-feira, 16 de abril de 2007

Bate-papo sobre pólo com o prof. Ricardo Cabral - continuação

Continuando o bate-papo sobre pólo aquático, gostaria de ressaltar, mais uma vez, a importância desse espaço de diálogo, em especial pelo fato do prof. Ricardo Cabral estar sendo tão atencioso e interessado. De novo vou fazer o contraponto, tentando, assim, tornar a discussão cada vez mais clara. Dessa vez vou dividir minha participação em duas partes para a postagem não ficar muito grande. Nessa primeira vou levantar questões relativas apenas a difusão e ao desenvolvimento do pólo no mundo, deixando a parte sobre a dinâmica do jogo para uma outra oportunidade.

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que a insistência no tema sobre o papel da FINA no desenvolvimento do pólo em nível global não passa pelo viés puramente assistencialista. Não se trata de propostas indecorosas como a dos dirigentes chilenos e uruguaios de que alguém teria que sustentar os mais fracos. O que eu insisto é que a FINA deveria atuar mais ativamente na difusão do pólo no mundo, tanto no nível técnico, aumentando o intercâmbio, quanto na criação de fundos e recursos exclusivos para programas que incentivem a prática do pólo fora dos centros já consolidados. Usando a FIFA mais uma vez como exemplo, é importante assinalar que além das ações de intercâmbio, já citadas em outra oportunidade, a FIFA possui programas destinados à distribuição de recursos que vão desde o FAP (Programa de Assistência Financeira), que distribui igualitariamente recursos entre todos os afiliados e confederações, independente do tamanho ou qualificação técnica, até programas específicos para áreas em que o futebol está em desenvolvimento, como o GOAL. Foi através de programas como esses que a FIFA pôde, gradualmente, aumentar o número de participantes na Copa do Mundo, diminuindo a distância entre os centros e as periferias. Eu, particularmente, desconheço ações desse tipo implementadas pela FINA.

Quanto as Olimpíadas, cujo lema é o congraçamento dos povos, acredito que ela é o palco dos melhores atletas de cada continente, ideal expresso inclusive no seu símbolo, os cinco anéis entrelaçados, representando os cinco continentes. Daí minha crítica à distribuição de vagas olímpicas.

Porém, concordo integralmente com o prof. Cabral quando ele assinala: “Quem quer ser grande, que corra atrás, se planeje e realize seus sonhos”. Essa tem sido uma de nossas principais críticas ao pólo brasileiro, justamente a falta de um planejamento e de “correr atrás”. Contudo, volto a fazer uma ressalva por respeito ao papel da FINA. É necessário divulgar o pólo, para que os países despertem o desejo de serem grandes no pólo. Sem esse trabalho de divulgação a maioria vai preferir ser grande no futebol, no basquete, no vôlei etc. Não basta ter um bom produto, é preciso uma boa apresentação e, fundamentalmente, uma boa distribuição. Se o seu produto não estiver disponível, o consumidor compra o do concorrente.

Dias atrás traduzi e postei aqui no blog a matéria publicada no site www.waterpoloworld.com sobre a fundação da Water Polo Development (WPD). Muitas das questões levantadas aqui nesses nossos bate-papos foram contempladas na citada matéria. As incertezas que levantamos por respeito ao futuro do pólo extrapolam a nossa condição de “periferia” e parecem preocupar, também, parte da elite aquapolista. A WPD é uma associação independente, fundada por expoentes da história do pólo que, pelo jeito, cansaram de esperar por uma atitude da FINA. Nesse sentido, aproveito nosso espaço para fazer algumas perguntas diretas ao prof. Cabral: com base no fato do sr. ser um dos dirigentes do pólo brasileiro e possuir larga experiência no tema, o que o sr. achou da fundação da WPD? Este é um caminho viável para o desenvolvimento do pólo? É possível que algum movimento produtivo se desenvolva a partir daí? Por que a FINA não abraçou essa proposta antes que uma associação independente resolvesse assumi-la?

Espero que fique claro que não estou cobrando respostas definitivas, mas sim sua opinião a partir da sua vivência no meio.

Encerro aqui, esperando continuar nosso papo em breve.


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