terça-feira, 10 de abril de 2007

Bate-papo sobre pólo com o prof. Ricardo Cabral

É com grande prazer que retomamos nosso bate-papo com o prof. Ricardo Cabral. Essa troca nos tem sido muito proveitosa, uma vez que com sua larga experiência de sala de aula e de beira de piscina o prof. Cabral tem nos ajudado a enxergar com outros olhos determinadas questões. Esperamos poder alongar esse bate-papo já que o assunto é de nosso interesse comum e aproveitamos para, mais uma vez, convidar nossos amigos que freqüentam o blog a participar desse bate-papo através do quadro de comentários.
As seguintes observações nos foram enviadas pelo prof. Cabral no dia 8 de abril mas, por falha nossa, só hoje foram lidas.

Emir e Clodoaldo,

Em primeiro lugar a escolha do blogttc para um canal de bate papo, deve-se, principalmente, ao fato de ser uma página que está interessada em discutir de maneira séria o esporte.

Achei interessante as colocações de vocês. Quando comparei o pólo ao basquete, é porque já o faço há anos de maneira didática, inclusive comparando-o, também, ao handball.

Concordo plenamente que, as linhas imaginárias no pólo são um problema. Quando sugiro algo parecido com o basquete é para o pólo ficar mais rápido.

Nos últimos Jogos Olímpicos, antes da geração de imagens do pólo, estava assistindo um jogo de handball, quando o pólo foi ao ar, a impressão era a de que passei a andar de carro com o freio de mão puxado.

Aliás, os três esportes tem dimensões de campo (quadra) parecidos, o que para mim já é um absurdo. A bola do pólo aquático é infinitamente maior do que a do handball e um pouco menor do que a do basquete, que pode ser jogada com ambas as mãos. Isso tudo contribui para o pólo ser mais lento.

Há alguns anos atrás, fiz uma pesquisa (não acadêmica), onde reuni na arquibancada do Maracanã, 20 alunos de Educação Física, que nunca haviam assistido a um jogo de pólo.

Ao final de 02 jogos, entreguei um questionário no sentido de saber o que eles haviam entendido do jogo, em relação as Regras e a Arbitragem. Como não valia consulta paralela, vocês já podem imaginar o resultado. Muito pouco entendimento do que foi visto.

Vale a pena ressaltar que eram alunos de Eucação Física habituados em assistir esportes.

Concordo que o hóquei, o futebol americano e o baseball, são muito difíceis de se entender, mas existe uma cultura para esses esportes nos EUA.

Tenho um livro interessante , The Meaning of Sports: Why American Watch Baseball, Football, and Basketball, and What they see when they do,que mostra muito bem o que é a formação de uma cultura esportiva.

Meus amigos, em relação a FINA, não é que ela não se preocupe com o pólo no resto do mundo. É a Europa que ignora por completo o resto do mundo.

Também sou contra uma política apenas assistencialista ao polo, que vise permitir a participação de países mais fracos em competições de alto nível. Para mim, Olímpiadas é para os melhores.

No último campeonato sul-americano em Caracas, ouvi do Delegado do Chile e do Uruguai, a seguinte proposta: O BRASIL como o país mais forte e com mais dinheiro, deveria durante os próximos anos subsidiar no Brasil a vinda e a participações de países sul-americanos, mais fracos na modalidade, com o objetivo de desenvolver o pólo na América do Sul.

Fiquei pensando no absurdo e remeti, em pensamento, o nosso pólo Brasileiro, para o contexto internacional.

Minha conclusão: Quem quer ser grande, que corra atrás, se planeje e realize seus sonhos.

Para isso acontecer aqui, todos nós temos que estar unidos, atentos, críticos, etc....

Um abraço e Feliz Páscoa

Ricardo Cabral

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